sexta-feira, junho 30

LEAL CONSELHEIRO 2

É com D. Duarte e com o infante D. Pedro que a nossa língua assume elevada capacidade de expressão conceptual no plano da filosofia, no despontar do século XV. No caso de D. Duarte, interessa-nos sublinhar essencialmente o seu Leal Conselheiro (fonte em produção pela Intellecta), já por alguns considerado o primeiro ensaio filosófico escrito em língua portuguesa, devendo consultar-se igualmente o seu Livro de Horas, de interesse mais relevante no plano da espiritualidade. Elaborado no início do século XV, altura em que Portugal começava já a viver a aventura da expansão marítima, constitui, como o próprio autor refere, um ABC de lealdade, com intenção didáctica, no plano da doutrinação ética e moral. Todavia, não há, neste tratado, uma sequência ordenada de conceitos e princípios, definindo um sistema concatenado. O que sobressai, e o que porventura o valoriza, é a sua forma coloquial, em consonância com o seu autodidactismo, fruto de uma elaborada capacidade de análise das situações concretas da existência humana, apresentadas «misturadamente e não assi por ordem». Dirigido aos homens de corte, comporta uma finalidade prática, dando corpo ao princípio de que compete aos reis o ensinar, em virtude da sua maior prudência e sabedoria, não havendo pois uma preocupação especulativa e formal, procurando antes que «alguns por os conselhos e avisamentos que em este tratado serão escritos de mal fazer se refreiem». A lealdade é o núcleo central que atribui coerência ao conjunto do texto, podendo mesmo considerar-se ser ela o "método" de pensamento do nosso rei, pois que «lealmente é todo escrito», distribuindo-se as fontes inspiradoras do seu pensamento em três planos: «a leitura de bons livros», «a conversação» e a «experiência do que tenho visto e sentido». Entre estes, são os dois últimos que lhe atribuem verdadeiramente originalidade e interesse. D. Duarte, como escreveu Joaquim de Carvalho, foi muito mais um sábio da vida do que um sábio do livro, podendo falar-se a seu respeito de um «humanismo primordial», pois, para conhecer o homem, melhor lhe pareceu não lê-lo nos livros, mas vê-lo e conhecê-lo pelo convívio e pelo diálogo directos, embora sem desprezar a intermediação da tradição cultural fixada pela escrita, dando corpo a um «humanismo de relação pessoal», que tanto marcaria o humanismo português no quadro da expansão e dos Descobrimentos. O Leal Conselheiro é por isso o discurso ético-moral de um pensador através da vida: «sobre isto mais escrevo pelo que sinto e vejo na maneira de nosso viver, do que por estudo de livros ou por ensino de letrados», tudo posto «na geral maneira de nosso falar», partindo das «coisas chãs» para as «ideias direitas».

Apesar das suas muitas aportações pessoais, cumpre no entanto dizer que estes tratados de vícios e virtudes eram comuns na literatura europeia da época, incluindo o tratamento dos temas de um ponto de vista não exclusivamente teórico mas do ponto de vista da sua descrição concreta, intimamente ligada às condições da vida prática. Com efeito, o nosso rei possuia na sua biblioteca uma obra deste tipo, o Caderno das Confissões de João Calado, citando ainda outros dois, o Pomar das Virtudes, de André Paz, e o Livro das Confissões de Martim Perez, para além de muitos outros que então proliferavam na literatura europeia. É o estudo concreto destas questões que abre portas ao exame minucioso da consciência individual, onde os pecados e os sentimentos se manifestam na diversidade das circunstâncias. No caso de D. Duarte, ficaram célebres as suas análises dos sentimentos da tristeza e da saudade, onde revelou inusitado poder introspectivo.

Neste último caso, transformou a saudade em problema do espírito, surgindo-lhe esta como um sentimento indizível, devendo cada qual consultar o seu coração «no que já por desvairados feitos tem sentido», dado que «nos livros nada vem». Trata-se de um sentimento que parte do «coração» mas que é autónomo e superior aos seus efeitos, sejam eles a tristeza, o nojo, o prazer, o desprazer ou o aborrecimento, podendo assim gerar efeitos contraditórios, pois que a variabilidade é um atributo do coração. Logo, se as suas manifestações têm um conteúdo psicológico preciso, como é o caso da tristeza, a saudade em si é um problema do espírito que não se define na base de um conceito preciso, devendo antes cada um proceder interrogativamente com recurso à experiência interior.

De inegável valor humano, sobretudo pela autenticidade do testemunho, é também a análise que nos legou do «humor merencórico», descrevendo-nos com grande realismo as várias fases da depressão que o acometeu quando seu pai lhe legou os negócios do reino, após a sua partida para Ceuta. No Leal Conselheiro podemos ainda encontrar uma interessante reflexão do autor sobre o seu ofício de rei, muito na linha do Regimento dos Princípes de Frei Gil de Roma, ao qual atribui um fundamento ético e uma finalidade espiritual, assente nas quatro virtudes cardinais e nas três virtudes teologais.

Obras Leal Conselheiro e Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela, edição crítica de J. Piel, Lisboa, 1942-1944; Obras dos Princípes de Avis, Porto, 1982. Bibliografia Sílvio Lima, Ensaios sobre o Desporto, Lisboa, 1937; Francisco da Gama Caeiro, A Cultura Portuguesa no último Quartel do século XIV; Afonso Botelho, D. Duarte, Lisboa, Verbo, Colecção Pensamento Português, 1993 (contém bibliografia exaustiva); id., D. Duarte e a fenomenologia da saudade, Lisboa, 1951; id., Andar Direito, Lisboa, 1951; Pinharanda Gomes, «D. Duarte do "Sootil Entender"», Cultura Portuguesa, nº2, Janeiro-Fevereiro de I982; Manuel Rodrigues Lapa, Lições de Literatura Portuguesa, Lisboa, 1964; Costa Pimpão, História da Literatura Portuguesa, Coimbra, 1947; Joaquim de Carvalho «Cultura Filosófica e Científica» História de Portugal (chamada de Barcelos), Lisboa, 1942. por Pedro Calafate

ISTO É O QUE EU CHAMO DE CONCORRÊNCIA DESLEAL !!!

ANDRÉ, JEAN - O principal impressor em Paris nos reinados de François I e Henri II, foi impressor da Universidade. Publicou alguns tratados anti-luteranos e denunciou muitos calvinistas sendo responsável pela sua morte ou prisão, incluindo os seus colegasimpressores François e Robert Estienne. (do dicionario de tipografos...)

serial killers

muitos serial killers devem ter se inspirado em Nietzsche. ao menos é o que se diz em alguns filmes de hollywood... eu, bem, não atingi toda esta plenitude; mas a pornografia já e um bom comeco.

quinta-feira, junho 29

O que é um livro de horas?

No final da Idade Média manifesta-se a necessidade de um livro tornando acessível aos leigos certos elementos do breviário utilizado pelos padres. De acordo com este modelo litúrgico desenvolveu-se lentamente, durante o século XIV, um livro de devoções privadas que retoma o papel anterior do saltério.

A pesar das variações de formato e da abundância de ilustração, todos os Livros de Horas são concebidos segundo um mesmo esquema, que, no entanto, sofre exceções: começam com um calendário elaborado exclusivamente em função das festas religiosas. Seguem-se numerosas preces. Estas, compostas em grande parte de salmos, seguem o ritmo cotidiano — as matinas, laudas, prima, tércia, sexta e nôa, as vésperas e as completas escalonam o dia.


O livro de horas foi o best seller da baixa Idade Média, sendo que seu uso sempre ficou limitado à leitura privada, alheia às cerimônias públicas e coletivas. Todos tinham seu Livro de Horas, muitas vezes o único da estante. Mesmo os analfabetos, que decoravam suas orações. Modestos ou suntuosos, exerceram um papel de suma importância social, seja como cartilha para o aprendizado da leitura, seja como símbolo da riqueza de seus possuidores — podiam valer tanto quanto grandes propriedades, até figuravam nos inventários.


Com o Livro de Horas a iluminura alcançou o pináculo da perfeição, assim como um esplendor jamais igualado. Beneficiou-se da conjunção de numerosos grupos de artistas excepcionais com duas ou três gerações de príncipes bibliófilos, opulentos e generosos.


As Riquíssimas Horas do Duque de Berry

O mais conhecido e o mais belo entre os Livros de Horas, foi executado, por encomenda do duque, pelos irmãos Limbourg. O duque e os artistas, porém, morreram antes do término da obra, cujas miniaturas exibem, num colorido luminoso, admiráveis representações da vida cotidiana.

Dentre as originalidades da obra, os especialistas apontam a prioridade dada às paisagens, tratadas com um realismo extremo. Pela primeira vez, a paisagem é vista como um motivo independente: as cenas se desenvolvem sob um céu anilado, em contraste com uma arquitetura perfeitamente delineada. É a descoberta do céu como elemento expressivo e, ao mesmo tempo, a descoberta da superfície da Terra como palco onde se desenrolam cenas da vida cotidiana.(ilustração: janeiro, livro de horas de Bérry)


O Mecenas
Cnhecido como O Príncipe dos Bibliófilos, João de França, Duque de Berry (1340-1416), filho, irmão e tio de reis de França, não deixou boa lembrança como político e governante. Mas era um profundo apreciador das artes, e possuía imensa fortuna. Colecionador apaixonado de obras artísticas (colecionava castelos, rubis, avestruzes...) reservava o melhor de seu entusiasmo para os Livros, principalmente os iluminados, que comprava ou mandava copiar e ornar, ele mesmo orientando todas as fases do trabalho, já que dominava os segredos do ofício e era homem de gosto apurado. Reunindo a seu redor os artistas mais famosos da época, conseguiu formar a mais luzidia coleção particular de manuscritos de todos os tempos, que incluía nada menos que 15 Livros de Horas, 14 Bíblias, 16 saltérios, 18 breviários e 6 missais.

Os Iluminadores
D esde o século XII, começaram a instalar-se nas principais cidades européias vários ateliês laicos de iluminura, formados por profissionais que paulatinamente foram arrebatando às comunidades religiosas a edição de manuscritos — pondo fim ao secular monopólio eclesiástico. As Riquíssimas Horas foram pintadas pelos três irmãos Limbourg — Paul, Hermann e Jean, artistas flamengos contratados pelo duque de Berry por volta de 1405. Os Limbourg utilizaram uma grande variedade de cores obtidas através de minerais, plantas ou produtos químicos, misturados com goma arábica para ligar a tinta. Entre as cores incomuns que utilizaram estão o verde íris, obtido esmagando-se flores e massicote (óxido de chumbo), o azul ultramarino, feito de lapis-lazuli orientais triturados. Esta cor era usada para representar os azuis brilhantes. Era, evidentemente, de um valor inestimável! Os detalhes extremamente precisos são característicos do estilo dos Limbourg, que exigia lupas e pincéis finíssimos.

Referências aos Livros de Horas também podem ser encontrados nos livros de José Teixeira de Oliveira, Gombrich, Janson e Seligman, constantes na bibliografia.

Um bom site brasileiro sobre a história do livro e assuntos relacionados é o Escritório do Livro.

boa parte destas informações provêm do site
http://www.geocities.com/Vienna/Strasse/3356/berry.htm

e foram traduzidas por Bárbara Leal A. Guimarães, Heliana Lacerda Dal Fabro, Luciana Ferro Borini, Maria da Graça Oliveira, Maria Tereza Shaedler, Mario Lourenço Thevenet, Marise Didoné, Ricardo Jorge Wolff, Simone Maria Losso, alunos de Tradução do Curso de Nancy II da Aliança Francesa de Florianópolis.

este conteúdo foi obtido em páginas do Escritório do Livro
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A escrita Copperplate


Inglesa (anglaise) o copperplate:
Durante o século XVIII, se formaram las primeiras sociedades mercantis y comerciais en Europa, por lo que se necessitava una escritura elegante, legível y rápida de escrever. Esta necessidade dio como resultado la letra inglesa. Por primera vez, la variação do grueso de las letras no depende do ângulo de una plumilla plana, sino de la pressão que exerce o calígrafo sobre la plumilla pontiaguda. Curiosamente, muito poucos calígrafos en o mundo tem a la inglesa en seu repertório.

A Escrita Copperplate, ou Comercial, ou Comercial Inglesa são a mesma. É provável que esteja entre as tres
mais belas caligrafias tradicionais (e difundidas) do mundo contemporâneo. Existem muitas fontes disponíveis na internet, em shareware ou comerciais, que trazem ela em versões puras ou com variações (leituras próprias) de vários designers tipográficos. A Intellecta tem a sua. O designer brasileiro Eduardo Recife (Misprinted Type) possui duas belissimas versões, muito utilizadas em publicidade, inclusive de veiculos e empresas de porte, como cervejarias. Obtenha aqui as fontes de Eduardo. No século retrasado esta escrita difundiu-se pelo mundo inteiro, principalmente em paises que mantinham relações comerciais com os ingleses. Assim, a Intellecta, por exemplo, está desenvolvendo uma versão rebuscada e arcaica com base no uso desta escrita em mosteiro franciscano em Recife (originais do século XIX).

As versões mais arcaicas da Copperplate remetem ao século XVIII e neste caso se aproximam mais de sua origem, a escrita chancelaresca de Arrighi. Isto pode ser conferido na fonte digital Copperplate 1672 da WaldenfFont, um primoroso trabalho que pode ser conferido neste pdf. A Copperplate 1672 pretende trazer a tona não apenas a Copperplate original do período mas sua ligação com o desenvolvimento na América do Norte. Também se assemelha neste período a escrita secretária inglesa, como podemos ver no fascinante manual de ensino de Martin Billingsley, "The Pen Excellence - The Secretary Delight", publicado em 1618, sobre o qual a Intellecta também está produzindo uma família de fontes. Importante notar que na parte tipográfica do manual, Billingsley procurar usar um tipo acentuadamente chancelaresco e itálico, mantendo uma coerencia visual com o tema caligráfico do manual (foto menor). (foto maior: The Pens Excellence)

Existe ainda uma variação caligráfica muito mais rebuscada e pouco encontrável da Copperplate, que é a Spenceriana, mas isto já é outro capítulo.

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Onde estão os calígrafos?

quarta-feira, junho 28

As Aventuras de Blake e Mortimer


Quadrinhos são outra coisa de que gosto muito, desde sempre. cheguei a ser, certamente, o maior colecionador do assunto em muitas das cidades em que já morei. Dos personagens que mais gosto estão Blake e Mortimer, de Edgar Pierre Jacobs, que se não me falha a memória fazia as ilustrações de fundo para o TinTin de Hergé.

Blake e Mortimer possuem um pouco da quimica das história de Holmes e Watson, sendo ingleses, inclusive. A questão que se me apresenta vem da minha infancia, quando haviam umas revistinhas do Mortadela e Salaminho. Não tenho memória para tanto, mas me parece que a dupla Mortadela e Salaminho são meio a la Blake e Mortimer, mais infantis, no entanto. Alguém ai pode me ajudar? Procurando na internet só topei com o filme, recente, que não chega aos pés dos originais em quadrinhos.

QUANDO NA MADRUGADA EU VOMITAVA NAS CALCADAS DE SOMBRIO (poema)

QUANDO NA MADRUGADA EU VOMITAVA NAS CALCADAS DE SOMBRIO

quando, na madrugada, eu vomitava nas calçadas de Sombrio. e quando amigos nós éramos um organismo vivo a se apoiar nos muros não havia presente nem futuro não haviam tramas nem planos, nem perdas, nem danos. só nós, ladrões de túmulos - no mínimo inocentes - a queimar cruzes e chorar por projetos de mulheres, correndo num fusquinha verde e velho atras do pomar fantasma e dos tesouros escondidos naqueles pantanais entre miasmas... (poema de paulo w)

terça-feira, junho 27

PALEOGRAFIA ESPANHOLA (Ibarra)


"Otras obras de Ibarra son la Historia general de España, de Juan de Mariana (1780) dos tomos en folio y a dos columnas; la segunda edición del Viaje de España, de Antonio Ponz, dieciocho tomos en octavo impresos entre 1776 y 1794; Paleografía española (1758); Historia de las plantas (1762); el Breviarium Gothicum Secundum Regulam Beatissimi Isidori (1775); y la Biblioteca Hispana Vetus e Nova, (1783-1788), en cuatro volúmenes. Joaquín Ibarra y Marín falleció en Madrid el 13 de noviembre de 1785." (foto: "Salustio", de Ibarra)

Bem, por minhas pesquisas esta "Paleografia Espanhola, Livros Antigos", de Ibarra, possui um exemplar na biblioteca do Gabinete Portugues de Leitura do Recife, onde faço algumas de minhas pesquisas. Portanto a idéia é ir lá e fotografar digitalmente este material e ver o que posso fazer. Isto agregaria mais valor a minha pequena coleção do genero que ja tem a GansIbarra.

presidentes em minha vida

Presidentes e/outrem que passaram pela minha vida (dos quais eu me lembro como ser pensante)

Ernesto Geisel
João Figueiredo
Tancredo Neves
José Sarney
Fernando Collor
Fernando Henrique
Fernando Henrique
Lula
Lula ???

Jimmy Carter
Ronald Reagan
Ronald Reagan
George Bush (father)
Bill Clinton
Bill Clinton
George W Bush
George W Bush
o próximo será o diabo?

Margaretch Tatcher

Carlos Menem
Raul Alfonsin

François Miterrand

paulo w nasceu em recife??? (poema)

paulo w nasceu em recife???

é duro para um gaucho admitir, mas muito de minha lifeform nasceu em recife. aqui nasceu a cerveja com gelo, o dormir pelado, o trair, o sair sozinho – se bem que em porto alegre eu timidamente já arriscava isto -, a poesia, a filosofia, a barriga, os shoppings...

mas aqui, nenhum amigo criou-se

nisto, vitoria foi mais prolifica

AMENO, FRANCISCO LUÍS (dicionario de tipografos)

Tipógrafo português que trabalhou no século XVIII e que teve oficina e loja de livros à entrada da Rua das Gáveas, do lado da igreja do Loreto, em Lisboa. Depois mudou-se para a Rua da Atalaia, junto à travessa dos Fiéis de Deus. Após o terramoto que atingiu Lisboa em 1755, instalou-se na Rua da Procissão e na Rua do Jasmin dando à sua casa a denominação social de Tipografia Patriarcal. Francisco Luís Ameno era natural de Trásos-Montes onde nasceu em 1713. Em 1727 cursava Direito Canónico na Universidade de Coimbra mas, não tendo concluído o curso, vem para Lisboa onde abriu aula de primeiras letras e de gramática latina e, mais tarde, oficina tipográfica. Entre 1753e 1754 foi impressor da Congregação Carmeriana da Santa Igreja de Lisboa.

tagliente, palatino, arrighi by Dover Press

Algumas editoras como a Dover Press (falaremos em breve desta) se esmeram em publicar livros com material iconográfico (eles chamam de Dover Pictorial Archives) ou falando especificamente de bibliofilia e tipografia. Outra é a Oak Knoll Books. Este tipo de trabalho editorial caminha desde o inicio dos tempos da tipografia e muitos dos primeiros e principais tipógrafos eram livreiros, como é o caso de Aldus Manutius, que antes de tipógrafo era verdadeiramente editor (Hypnerotomachia Poliphili). Nada mais justo que algumas casas se especializem na história da própria tipografia, ou, como diria William Baskerville, em O Nome da Rosa, "livros que falam de livros", nesta caso, de letras.

Neste link voce tem acesso a um catalogo digital para venda de livros novos e usados (raros) que agrega varias editoras, livreiros e colecionadores e cujo tema central é a bibliofilia e tipofila.

Segundo o catalogo a Oak Nolls
"sells, publishes and distributes books in the fields of: Bibliography, Book Collecting, Book Arts, Books about Children's Books, Book History, Bookplates, Book Trade, Forgery, Censorship, Libraries, Publishing, Bookbinding, Book Design, Book Illustration & Graphic Arts, Marbling, Color Printing, Printing & Printing History, Papermaking & Paper Specimens, Typography & Typeface Specimens, Private Press Books & Fine Printing. Catalogues 10 per annum. Oak Knoll Books has open shop hours from 9-5 Monday through Friday, and Saturdays are open by appointment only. Who are we? Oak Knoll Books was founded by Robert D. Fleck in 1976 to fill a void in the booksellers world. At the time, there were virtually no antiquarian booksellers who specialized in both out-of-print and in-print books about books, book trade history and the book arts. Today, Oak Knoll Books is a thriving company that maintains an inventory of about 20,000 titles and a rapidly growing backlist of over 950 titles published and distributed under its imprint, Oak Knoll Press, which currently publishes 30-40 new titles a year. We co-publish with The British Library, The Delaware Museum, HES and St. Paul's Bibliographies. We also exclusively distribute books in the field for other publishers and organizations such as the American Antiquarian Society, Bibliographical Society (London), Bibliographical Society of America, Bibliographical Society of the University of Virginia, Catalpa Press, The John Carter Brown Library, St. Paul's Bibliographies and W. Thomas Taylor. Our main specialties include books about book collecting, bookselling, bibliography, libraries, publishing, private press printing, fine printing, bookbinding, book design, book illustration, calligraphy, graphic arts, marbling, papermaking, printing, typography and type specimens plus books about the history of these fields. You can reach us via phone, fax, email or regular mail. Our business hours are Monday through Friday, 9 a.m. to 5 p.m. but you may leave a message with our answering machine outside of business hours. We are located in the historic colonial town of New Castle, next to the Delaware River and have an open shop for visitors. We are located close to Philadelphia and Washington, DC and are situated near many historic areas and attractive sights including Winterthur and Longwood Gardens. Please contact us if you would like to plan a visit. What do we do? Our publishing division produces titles for booklovers and those interested in the history of the book and book arts. Successful titles include The Great Libraries: From Antiquity to the Renaissance by Konstantinos Sp. Staikos, ABC for Book Collectors by John Carter, The Art & History of Books by Norma Levarie, Encyclopedia of the Book by Geoffrey Ashall Glaister, Five Hundred Years of Printing by S.H. Steinberg and American Book Design and William Morris by Susan Otis Thompson.. One of our many purposes is to increase awareness and appreciation for the history, art and form of the book as well as to foster the activities of book collecting and bookselling. We encourage those interested in these fields to approach us when they need information, sources and contacts in the books about books field. We serve the newcomer to the book world as well as professionals and the more experienced. We issue twelve antiquarian catalogues in addition to four in-print minilists and two publishing catalogues per year. Our company serves individuals, libraries, bookstores and book dealers and other institutions worldwide. Our customers include private collectors, students and scholars in book trade, book arts and book history, type designers and typographers, printers, graphic artists, librarians, booksellers, bookbinders, papermakers, marblers, professors, book designers, calligraphers and those interested in miniature books and books about book illustration, children's books, censorship and forgery in addition to other subjects related to the field. We constantly strive to reach people in these fields by hosting special events such as private press fairs, author signings and special exhibitions. One of our current projects include a web site for those looking for information and resources relating to the book history and book arts community"

Por que tudo isto? Neste caso especifico a Oak Knolls está vendendo três (3) exemplares de um livro de 1953 que muito me interessa, justamente da Dover Press:

THREE CLASSICS OF ITALIAN CALLIGRAPHY AN UNABRIDGED REISSUE OF THE
WRITING BOOKS OF ARRIGHI, TAGLIENTE AND PALATINO. With an Introduction by Oscar Ogg. Dover Publications N.P. (1953) 8vo., stiff paper wrappers. xii, 272 pages. ¶First edition thus. Private ownership, stamp embossed on title page.

Os preços estão em US$ 20,00, US$ 22,50 e US$ 30,00 (para o mais bem conservado). Uma pechincha em se tratando de um livro com specimens caligraficos dos tres mais importantes mestres caligrafos do século XVI. SIM, EU TAMBEM ESTOU PRODUZINDO FONTES BASEADAS NELES. Arrighi é tão crucial para a hitória da escrita e tipografia que saiba voce que a tua escrita do dia a dia e os caracteres romanos que lês todos os dias em jornais e revistas foram criados originalmente por Aldus Manutius sob influencia estética de Arrighi.

Como sou um sujeito azarado há poucos dias gastei meu saldo em dólares que estava no pay-pal e não posso comprar estes livros. Acho que vou apelar para o cartão de crédito ou para a boa alma de algum cliente interceder em meu favor.

Este assunto é mais um de um grupo de discussões sobre a escrita chancelaresca, que aliás foi minha primeira fonte produzida.

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Escrita Secretária
(em produção)
Escrita Cortesã (em produção)
Escrita Encadeada ou Corrente (em produção)
Jayme Cortesão (em produção)
A Carta de Caminha (em produção)
O tamanho "carta" (em produção)
La Operina (P22 + Gunlaugurr Se Briem)

segunda-feira, junho 26

Paul Lloyd


Paul Lloyd é, para mim, um dos grandes tipógrafos revivalistas digitais, ao lado de Dieter Steffman, Manfred Klein, Pia Frauss (infelizmente pequena produção), Nick Curtiss e David Nalle (Scriptorium). Aqui vão as palavras do proprio sobre sua fonte Clerica (download aqui). Este artigo é o início de uma discussão mais ampla que envolverá a escrita chancelaresca/itálica, copperplate, minusculas de Arrighi, Bruce Rogers... (foto: Manfred Klein)

Clerica
I don't know the exact source of the scan I derived Clerica from- I've accumulated a large library of interesting samples, scans and so forth over the years and I'm not sure of exact sources. I've accumulated everything from old type samplers, interesting product labels, friends hand lettering, advertising handbills, my own handwriting etc etc etc.....Clerica is a font based on something that came somewhere out of that lucky dip, constructed by the tried and true method of scanning and tracing to create a template, which becomes a rough guide to build the finished font around, many hours spent on hand constructed curves! Enjoy the finished result as much as I enjoyed the process! The idea behind Clerica is a computer font that doesn't look like a computer font. The idea is to remember when people had an instinctive ability to write legibly on the page, new technology put to the service of old, there again the latter is what most of my fonts are about really! Paul Lloyd

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AMADO, MANUEL COELHO (dicionario de tipografos)

Impressor português do século XVIII, teve oficina em Lisboa, em diversos locais do Bairro Alto, nomeadamente na Rua da Rosa e na Travessa da Estrela. O último ano de que temos conhecimento em que exerceu actividade é 1773, ano em que imprimiu Arte da Grammatica Latina de António Pereira Xavier.

trilha sonora para tipografia

Trabalho ininterruptamente escutando musica. Acho que dois requisitos imprescindiveis para a concentração pela natureza de meu trabalho, que mescla insight criativo com pesquisa é o ambiente fechado, as portas e janelas fechadas (para não escaparem as idéias) e a outra música de fundo. e, é claro, cafeína. um pacote de nescafé diário. compro nescafé em caixa fechada, acredite.

A música ideal é a suave, calma, como jazz, mpb e bossa nova. e principalmente rock progressivo. de vez em quando rolam musicas mais agressivas, mas não como regra. o que mais escuto é Renaissance. inclusive porque escutando musicas de caracter europeu com toques medievais ou renascentistas me transporto mais facilmente para um clima mental compatível com as antigas tipografias. é isto.

domingo, junho 25

BARROCO

ARROCO.
Da segunda metade do século XVI à primeira metade do século XVIII, compõe-se de três fases mais ou menos nítidas: o Maneirismo (1530-1640), em que se alargam e distorcem as formas renascentistas; o Barroco (1570-1680), de expressão depurada e estilo sóbrio; e o Barroquismo ou Barroco tardio (1680-1750), uma vez mais rebuscado e excessivo. Recebe denominações locais: na Itália, marinismo, do poeta Giambattista Marino; na Inglaterra, eufuísmo, do título do poema Euphues, de John Lyle; preciosismo, na França; cultismo ou conceptismo em Portugal e, na Espanha, gongorismo, do nome de Luís de Góngora y Argote. Essas designações referem-se, em geral, ao Maneirismo e seus ornamentos abundantes e, não raro, abuso de figuras de linguagem que torna os textos herméticos. Arte da Contra-reforma, o Barroco reage ao racionalismo renascentista e retorna à tradição cristã. Cheio de tensão interna, seu sentimento da transitoriedade das coisas faz com que a poesia do espanhol Francisco de Quevedo y Villegas, do francês Agrippa d'Aubigné ou do alemão Angelus Silesius seja marcada por pessimismo e gosto pelo macabro (embora restos do epicurismo renascentista ainda se encontrem nos sonetos de Michelangelo Buonarroti ou de William Shakespeare). A religiosidade atormentada se manifesta na poesia mística de São João da Cruz, Sta. Teresa de Ávila ou do inglês John Donne, freqüentemente tingida de erotismo; na oratória do pe. Antônio Vieira ou do francês Jacques Bénigne Bossuet; e no Paraíso perdido, de John Milton, sobre a queda de Lúcifer e o pecado original. No domínio profano, a Jerusalém libertada, de Torquato Tasso, e o Orlando furioso, de Lodovico Ariosto, renovam a épica. A prosa barroca - As tortuosas histórias de amor de Honoré d'Urfé (Astréia) e Mlle. de Scudéry (Clélia) retomam e atualizam os estilizados códigos sentimentais da literatura cortesã medieval. Os Ensaios, de Michel de Montaigne, abordando as mais diversas áreas do conhecimento e do comportamento, formulam uma visão estóica da condição humana. O personagem-título do Don Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, sátira à novela de cavalaria, dividido entre a ilusão e a realidade, é o símbolo da face idealista e aventureira do espírito humano, complementada pelo lado realista e de bom senso, representado por seu criado Sancho Pança, camponês que tem os pés solidamente plantados no chão. Na área da literatura infanto-juvenil, coletâneas são publicadas, na década de 1630, pelos italianos Giovanni Caravaggio e Giambattista Basile e pelo português Gonçalo Fernandes Troncoso. Em 1696, os Contos de Mamãe Gansa, de Charles Perrault, estabelecem o modelo do conto defadas que será seguido por diversos autores. (a capitular usada é do periodo barroco)

SAIBA MAIS

ALKABIZ, SALOMON ben MOISE LEVI -

Impressor judeu que trabalhou em Espanha, na cidade de Guadalajara, imprimindo algumas obras em 1482.

Boecio, Boetius


BOECIO, filosofo e poeta romano (480?524) que teve papel fundamental na conservacao dos textos gregos durante o início da Idade Media, tradutor de Platao e Aristoteles, exerceu grande influencia sobre São Tomas de Aquino. Viveu em um periodo de transicao. nasceu em 480 em Roma. Em 493 a cidade é conquistada pelos godos. De familia nobre, torna-se consul por volta do ano 510, no reinado de Teodorico, o Grande, que precisa da aristocracia local para administrar e manter relacoes com Bizancio, onde o Imperio Romano ainda se mantem. No ano de 522 foi condenado a morte, acusado de trair o rei em beneficio de Justiniano I, Imperador do Oriente. Da noite para o dia transforma-se de um dos homens mais importantes do governo a prisioneiro, provando a infelicidade. A Consolacao da Filosofia, livro que escreveu no carcere, enquanto esperava, entre uma sessao de tortura e outra, por sua execucao, é considerada sua maior obra

Escrita no seculo VI, A Consolacao da Filosofia é uma das obras mais fulgurantes da historia do pensamento ocidental. Passados 15 seculos o texto não perdeu nada do seu vigor, beleza e atualidade, pois se trata de um dos emblemas mais cristalinos da vitoria do espirito sobre a barbarie. Escrito na cela, ele ve surgir ali uma mulher imponente, da qual emana uma forca extraordinaria. É a Filosofia.

Se Boecio perde as riquezas e o poder, a reflexao o faz ver o carater ilusorio desses bens. Boecio sofre porque esqueceu quem é – o que representa ser homem. Conduzido a percepcao da felicidade, ele interroga a Filosofia sobre os sofrimentos que tantos padecem sob o jugo de tiranos. Harmonizando o Bem e a ordem cosmica com a liberdade do homem, a Filosofia lhe mostra que a unica recompensa do bem consiste em sua propria acao. Pois aqueles que a ele renunciam simultaneamente renunciam a ser.

480?
Nascimento de Boecio

510
Por volta deste ano, no reinado de Teodorico, O Grande, Boecio tornou-se consul e senador.

522
foi condenado a morte, acusado de trair o rei em beneficio de Justiniano I, imperador do oriente.

524
execucao de Boecio


sábado, junho 24

não morre aquele que eternamente pode jazer...

não morre aquele que eternamente pode jazer, e após muitas eras, até mesmo a morte pode morrer

h p lovecraft

(ilustração: Chtulhu, Paul Carrick)

A COR QUE VEIO DO ESPAÇO


Para mim Lovecraft é sem dúvida o melhor autor de terror de todos os tempos. Esta minha pintura digital eu chamo de "A Cor que Veio do Espaço", em homenagem ao seu conto homonimo.

VEJA ARTE (de outro artista) INSPIRADA EM LOVECRAFT AQUI


quem não arrisca não petisca


quem não arrisca não petisca. aqui está o pacote promocional de 24 fontes da Intellecta por US$ 8,95 cada. preço imperdível para fontes que variam entre US$ 9,95 e US$ 49,95 em condições de venda unitária. visite o link e conheça as fontes.

SOMBRIO

voce já morou numa cidade que se chama Sombrio? vizinha de ERMO? com furnas historicas, lugar de aventuras piratas e tesouros escondidos? você ja rastejou por pantanos costeiros, teve lobisomens na familia? VOCE IA A ESCOLA NA ALTA MADRUGADA E CONHECEU UM LUGAR CHAMADO SOLIDÃO? este é o Sul e este sou eu, e não voce

Bibliotecas Digitais: Valencia


A dica de hoje, sobre bibliotecas que disponibilizam digitalmente fac-similes vai, com ressalvas, para a Valenciana, da Espanha. Importante para pesquisas especifica ssobre espanha e principalmemnte sobre história da municipalidade de Valencia. Porem a nota baixa fica por conta da baixa resolução dos arquivos disponiveis.

sexta-feira, junho 23

o caso de charles dexter ward

pode um homem viver novamente? todos os dias que me forem destinados eu esperarei, ate que venham me soerguer



KANSAS, lançamento fonte intellecta


Lançamento da nova fonte da Intellecta, Kansas. Esta não prima pela originalidade, mas foi uma das primeiras dentro de um novo trabalho baseado em George Bruce, e também pesquisas sobre publicidade norte-americana (essencialmente fancy + slab + egyptian + grotesque) do século retrasado. O conjunto de material iconográfico reunido é considerável, subindo a casa das milhares de imagens. Dificil será mesmo dar ordem a coisa toda. Veja Kansas aqui.

sites sobre teoria e história da tipografia

Bem, voces sabem procurar sozinhos, eu suponho. Mesmo assim vou citar de vez em quando meus sites preferidos sobre teoria e história da tipografia. Não vou começar citando o Luc Devroye porque este é hors concours. Minha referência de hoje está com Juan Val que é "Doctor en Ciencias de la Información por la Universidad Complutense de Madrid y Profesor de Artes Gráficas del Instituto Puerta Bonita de la misma ciudad". Ele é professor de artes gráficas, e se dedica bastante sobre tipografia junto a seus alunos e em seu site. (ao lado, Jean Mielot, copista medieval)

ARTE ROMÂNICA

europa medieval, séculos XI a XIII, panorama artístico

Quando Gutemberg criou os tipos móveis, utilizou-se da escrita gótica então em uso em larga parte da Europa para escolha das formas. Quis fazer o que chamariamos hoje de fac-similes, pois de fato ele não inovou em termos de desenho tipográfico. Sua glória foi a criação da técnica. Caberiam aos seus sucessores desenvolverem a tipografia, o que não tardou a ocorrer. (patrono de nosso blog: Gutenberg, da Moguncia)

Antes de Gutemberg a escrita era toda manuscrita, ou em pequena escala, esculpida sobre superficies rijas, pela técnica de epigrafia, como em monumentos tumulares (o site Medievalista, de Portugal, desenvolve excelentes pesquisas sobre este assunto). Para entendermos um pouco por alto o periodo mental que antecedeu o surgimento da técnica gutembergiana e o uso da escriyta gótica ai vai a primeira de uma série de intervenções sobre a baixa idade média. (o texto a seguir não é meu)

"A arte românica, cuja representação típica são as basílicas de pedra com duas apses e torres redondas repletas de arcadas, estendeu-se do século XI à primeira metade do XIII. Seu cenário foi quase toda a Europa, exceto a França, que já a partir do século XII produzia arte gótica. Apesar da barbárie e do primitivismo que reinaram durante essa época, pode-se dizer que o românico estabeleceu as bases para a cultura européia da Idade Média. O feudalismo era a nova ordem da sociedade de então, enquanto o Sacro Império ia se firmando politicamente. Até esse momento, a arquitetura não diferenciava formalmente palácios de igrejas, devido ao fato de o imperador, de alguma forma, representar tanto o poder religioso quanto o temporal. Os beneditinos, logo após as primeiras reformas monacais, foram os primeiros a propor em suas construções as formas originais do românico.

Surge assim uma arquitetura abobadada, de paredes sólidas e delicadas colunas terminadas em capitéis cúbicos, que se distancia dos rústicos castelos de pedra que davam seqüência à linha pós-romana. Na pintura e na escultura, as formas se mantêm dentro da mesma linha da arquitetura, severa e pesada, completamente afastadas de qualquer intenção de imitar a realidade e conseguindo, como resultado, uma estética dotada de certa graça infantil. Pintura: Originalmente, as naves das igrejas românicas eram decoradas com pinturas murais de uma policromia intensa e perfeitamente harmonizadas com a arquitetura. Seus desenhos iam das formas da antiga pintura romana aos ícones bizantinos, ocupando naves e absides. Os temas mais freqüentes abordavam cenas retiradas do Antigo e do Novo Testamento e da vida de santos e mártires, repletas de sugestões de exemplos edificantes. Também não faltavam as alegorias dos vícios e virtudes, representadas por animais fantásticos, próprios de um bestiário oriental. As figuras não tinham nenhuma plasticidade, e as formas do corpo apenas se insinuavam nas rígidas dobras dos mantos e túnicas. Os traços faciais eram acentuados por contornos de traços grossos e escuros. Os fundos apresentavam uma só cor, branco ou dourado, emoldurados por frisos geométricos.

Para desenvolver esse tipo de pintura mural, os artistas do românico em geral recorreram às técnicas da pintura do afresco, misturando a tinta com água de cola ou com cera. Por outro lado, é preciso mencionar também o trabalho que se fazia então de iluminura de Bíblias e obras manuscritas. Cada vez mais sofisticado, ele evoluía paralelamente à pintura formal, tanto em termos de estilo quanto de desenvolvimento da técnica pictórica. A Visitação Escultura: A escultura românica desenvolve-se nos relevos de pórticos e arcadas com uma exuberância inesperada e em perfeito contraste com as pesadas formas arquitetônicas. A fusão das formas orientais de Bizâncio com as romanas antigas resulta numa estatuária de caráter ornamental. O espaço em branco dos frisos, capitéis e pórticos é coberto por uma profusão de figuras apresentadas de frente e com as costas grudadas na parede. O corpo desaparece sob as inúmeras camadas de dobras angulosas e afiladas das vestes. As figuras humanas se alternam com as de animais fantásticos, mais condizentes com a iconografia do Oriente Médio do que com a do cristianismo. No entanto, a temática das cenas representadas é religiosa. Isso se deve ao fato de que os relevos, além de decorar a fachada, tinham uma função didática, já que eram organizados em faixas, lidas da direita para a esquerda.

Devemos mencionar também o desenvolvimento da ourivesaria durante esse período. A exemplo da escultura e da pintura, essa arte teve um caráter religioso, tendo por isso se voltado para a fabricação de objetos como relicários, cruzes, estatuetas, Bíblias e para a decoração de altares. Os grandes reis também se sentiram atraídos por essa forma de grandeza, encomendando aos ourives luxuosas coroas incrustadas, bem como globos decorados e cetros de ouro.

O românico coincidiu com as primeiras peregrinações na Europa. Para que uma igreja fosse considerada um lugar de peregrinação, ela deveria possuir as relíquias de algum santo, ou seja, seus restos mortais ou parte deles, ou algo que tivesse pertencido a ele. Tais itens eram guardados em primorosas obras de ourivesaria, como cruzes de fundo duplo de ouro ou esmalte, ou imagens ocas de madonas com incrustações de pedras preciosas lapidadas rusticamente.

As Sagradas Escrituras, em versões manuscritas elaboradas pelo trabalho paciente de monges copistas, eram encadernadas em sólidas capas de ouro, pedras preciosas e pérolas. As igrejas mais ricas revestiam seus altares com esses mesmos materiais. Embora, a princípio, o estilo fosse um tanto primitivo, de acordo com o espírito da época, se desenvolveram técnicas refinadas, entre as quais se destacam a filigrana e o esmalte."

Pois bem, quem quiser ver TODAS as pranchas da Biblia de Gutenberg digitalizadas visite o Ranson Center

Dicionário Filosofico de Voltaire - CARÁTER

CARÁTER

A palavra grega impressão, gravura. É o que em nós gravou a natureza. Podemos apagá-lo? Transcendental questão. Se tenho o nariz de esconso e olhos de gato, posso escondê-los sob uma máscara. Poderei encobrir melhor o caráter? Apresenta-se perante Francisco I de França, a fim de queixar-se de uma preterição, um indivíduo de natural violento e impetuoso. O semblante do príncipe, a postura respeitosa dos cortesãos, o local mesmo impressionam-no fundamente. Maquinalmente baixa os olhos, a voz rude se abranda e faz o pedido humildemente. Crer-se-ia nascido tão manso quanto os cortesãos em meio dos quais parece quase desconsertado. Entretanto facilmente descobre Francisco I em seus olhos baixos, porém acesos de um fogo sombrio, nos músculos retesos do rosto, nos lábios contracerrados, que esse homem não é tão humilde como aparenta. Esse homem acompanha-o a Pávia, é aprisionado com ele e com ele levado para Madri. Já não lhe infunde a mesma impressão a majestade do rei. Familiariza-se com o objeto de seu respeito. Um dia, ao descalçar-lhe as botas, e fazendo-o desleixadamente, Francisco, azedado peloinfortúnio, ralha-lhe. Nosso homem manda o rei plantar batatas e atira as botas pela janela. Nascera Sixto Quinto petulante, opiniático, soberbo, impetuoso, vingativo, arrogante. As provas do noviciado parecem ter-lhe adoçado o caráter. Mal começa a desfrutar de certo crédito em sua ordem, lança-se contra um guardião e alomba-o a punhadas. Inquisidor em Veneza, exerce o cargo com insolência. Cardeal, é possuído della rabbia papale. Embuça na obscuridade sua pessoa e seu caráter. Mascara-se de humilde e moribundo. Elegem-no papa: é quando dá à mola do natural toda a elasticidade longo tempo retesada pela política. É o mais arrogante e despótico dos soberanos. Naturam expellas furca, tamen usque recurret. Religião, moral, são freios retentores do caráter. Não podem, porém, matá-lo. Enclausurado, reduzido a dois dedos de sidra às refeições, pode o bêbedo deixar de embriagar-se, mas ansiará sempre pelo vinho. A idade amolenta o caráter. Transforma-o em uma árvore que não dá senão um ou outro fruto abastardado, mas sempre da mesma natureza. Enodoa-se, cobre-se de musgo, caruncha. Jamais deixará de ser carvalho ou pereira, porém. Se fosse possível alterar o caráter, a gente mesmo o plasmaria a bel prazer, seria senhor da natureza. Podemos lá criar alguma coisa? Não recebemos tudo? Experimentai animar o indolente de contínua atividade, inspirar gosto à musica a quem careça de gosto e de ouvido. Não tereis melhor resultado do que se empreenderdes dar vista a cego de nascença. Nós aperfeiçoamos, esborcelamos, embuçamos o que nos estereogravou a natureza. Não há, porém, alterar-lhe a obra. Direis a um criador: - O Sr. tem peixe demais nesse viveiro; assim eles não vingam. Seus campos estão sobrelotados de gado; o capim não dá, os animais emagrecerão. - Com isso deixa o nosso homem que as solhas lhe comam metade das carpas, e os lobos metade dos carneiros. Os restantes engordam. Gabar-se-á ele dessa economia? Este camponês és tu mesmo. Uma de tuas paixões devorou as outras, e tu julgas haver triunfado sobre ti próprio. Não parecemos quase todos nós com aquele velho general de noventa anos que, encontrando alguns jovens oficiais mexendo com umas moças, perguntou-lhes colérico: "Senhores, é esse o exemplo que lhes dou?".



ÁLVARES tipógrafos (dicionario...)


Muitos foram os "Álvares" no inicio da tipografa portuguesa. pelo menos os dois primeiros que citarei a seguir eram parentes (pai e filho). Da História da Tipografia portuguesa e espanhola três coisas me interessam sobremaneira e a elas tenho me dedicado. Primeiro, uma versão de fonte baseada na versão (também!!!) de Joaquim Ibarra da extinta Fundicion Gans espanhola. Este trabalho está bem adiantado e será lançado muito em breve. Da Fundicion Gans já tenho outras fontes prontas, inclusive já comercializando-se no MyFonts e muitas outras a caminho. Muito mais devagar vai minha leitura do importantissimo "Leal Conselheiro" (veja matéria sobre), onde trabalho em duas frentes: as capitulares e os tipos góticos de Bouffard. Este esforço em digitalizar o Leal Conselheiro já despertou interesses até de pesquisadores na Islandia!!! (ao lado: capitular de "Leal Conselheiro")

ÁLVARES, ANTÓNIO (pai) - Impressor português que trabalhou nos finais do século XVI, princípios do século XVII, que imprimiu em Lisboa. Trabalhou muitas vezes de parceria com os impressores Alexandre de Sequeira, Marcos Borges e António Ribeiro.

ÁLVARES, ANTÓNIO - Filho de António Álvares, este impressor foi chamado pelo rei D. João IV para o seu serviço em substituição de Lourenço Craesbeeck que se mudara de Lisboa para Coimbra. Em 1623 publicou a Chronica do Condestável dedicada ao Duque de Bragança, futuro rei D. João IV. (abaixo: meus estudos para GansIbarra, a ser lançada em Julho2006)

sonhos

... me encaminhava pelas alamedas lugubres do hipodromo, mais precisamente aquele misterioso casario conhecido como Gabor Villa, ao encontro, movido por sei la que necessidade sonambulica, a falar com um certo Pendracte

... e nada disso seria mais incomum que o fato de tudo isto saber atraves de sonhos (pw)

quinta-feira, junho 22

Hypnerotomachia Poliphili (Posner)

Das obras já encontradas na Posner, duas me chamaram a atenção imediata: uma, a Hypnerotomachia Poliphili, de Francesco Cologna (em breve na nossa seção Dicionario de Tipógrafos). ela sempre me fascinou, pela soberba diagramação e principalmente por suas capitulares, que sempre quis digitalizar mas não encontrava boa resolução em outros acervos. vamos ver se agora consigo.

a outra é Della Transportazioni dei Obelisco. conheci esta há poucos dias na Biblioteca Nacional Digital de Portugal. mas com certeza a resolução desta versão da Posner vai me permitir melhor atenção aos detalhes. na verdade estou mais interessado mesmo em ler a obra (se conseguir) do que digitaliza-la. (ao lado: pagina da Hypnerotomachia)

Posner Memorial Collection (biblioteca digital)

sou fascinado por bibliotecas digitais. frequento diversas e sempre ando a procura de mais. gosto mesmo das que possuem acervo fac-similar digitalizado. a Gutemberg Project, por exemplo, embora tenha mais de 18.000 volumes tem pouco ou quase nenhum acervo fac-simile. omaior defeito das facsimilares continua a ser a digitalização em baixa resolução para pesquisadores como eu. mas acredito que com internet cada vez mais veloz ano a ano, novas maquinas na ponta final (as nossas, é claro), e avanços na tecnologia de armazenagem de grandes volumes em breve isto será superado. a dica de hoje vai para uma biblioteca com poucos volumes (622), mas que nos brinda com tres tamanhos de imagem para cada pagina digitalizada, sendo a maior razoável para trabalhos: a Posner Memorial Collection. a proposito, estou esperando um e-mail de resposta da Biblioteca Nacional Digital de Portugal, e, para não negarem seu parentesco com nós brasileiros, parecem ser os unicos europeus a atrasar ou não responder e-mails relevantes (falo com conhecimento de causa pois não é a primeira vez que isto ocorre). leia abaixo a descrição da Posner, por eles proprios:

Posner Memorial Collection in Electronic Format

The Posner Memorial Collection of six hundred twenty-two titles includes landmark titles of the history of western science, beautifully produced books on decorative arts and fine sets of literature.

Mr. Henry Posner, Sr. formed the collection from 1924 to 1973, starting with literature and decorative arts and, after 1950, focusing on the history of science.

When possible, books are in electronic format with text and images and accompanied by a Collector's File of Mr. Posner's records.

LOVECRAFT (poema)

LOVECRAFT

não devo me apegar as coisas materiais,

como num decrepito castelo velhos fantasmas,

se a fenix ressurge dos sais,

da morte traz somente sua alma,

pw

O Mistério das Cousas, (Fernando Pessoa)

O Mistério das Cousas
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Há Metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber o que não sabem?
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo" ...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas,
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De que, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.


in Pessoa, F. (1981): Obra Poética, Rio de Janeiro: Ed. Aguilar, pgs. 140-1.

Sites sobre Fernando Pessoa

Jornal da Poesia, com as obras completas de Fernando Pessoa.
A Razão Poética, comentário sobre os heterônimos de Fernando Pessoa, por Ferreira Gullar

AGATHA CHRISTIE

"Enquanto Houver Luz" (editora Record) reune nove contos de Agatha Christie que não foram republicados desde seu aparecimento (em alguns casos entre 60 e 70 anos atras), com duas unicas excecoes. Há historias de deducao, como Aventura natalina, em que comparece o detetive belga Hercule Poirot. Há historias de terror, como A Casa dos Sonhos, uma das primeiras realizacoes da entao jovem e iniciante escritora. Historias de misterio, como A Atriz e Tensao e Morte. E até mesmo historias romanticas, como O Deus Solitario. (foto: Agatha Christie)

Em todas, a extraordinaria capacidade da escritora inglesa para criar enredos complexos, quase sempre surpreendentes, recheados de personagens bem marcadas e verossimeis. Com frequencia surge aquele tipo “bem ingles”, seco, laconico, contido. Ou aquela personagem feminina tambem tipica, mignon, mas energica e de personalidade forte. Os principios morais tambem são definidos e de vez em quando aparece um velho rabugento falando mal da “juventude de hoje”.

Quem está familiarizado com o universo ficcional da autora, vai se deliciar encontrando a recorrencia destes topicos já no início de sua carreira. Quem não, vai ter uma especie de aperitivo do que podera encontrar no resto da obra da autora. (não fui eu que escrevi este texto)

CIDADES MORTAS PARA UM FRANKENSTEIN DE ROGER CORMAN, QUE NÃO ATRAVESSA A IMENSIDAO GELADA MAS SE TRANSPORTA PARA O CEMITERIO DA TECNOLOGIA E DO HOMEM

980806 PSICOGRAFANDO MEMORIAS 050102 PSICOGRAFANDO MEMORIAS TOCO AS PEDRAS, A TERRA, O VENTO AQUI FICOU ME ESPERANDO NOVE ANOS COMO NAS CIDADES MORTAS PARA UM FRANKENSTEIN DE ROGER CORMAN, QUE NÃO ATRAVESSA A IMENSIDAO GELADA MAS SE TRANSPORTA PARA O CEMITERIO DA TECNOLOGIA E DO HOMEM O VENTO AQUI FICOU ME ESPERANDO COMO NAS QUINAS DE CIDADES ABANDONADAS O Tempo e o Vento de Érico Verissimo... que outra entidade na existencia pode ser mais irmã do tempo do que o vento? mais do que palavras gemeas na intimidade do suspirar fonetico... o vento é a verdadeira alma motora da fisica e do movimento... o tempo o vento o movimento... como imaginar um caos que não é caos e não é liquido um mundo onde não há vento e não há tempo.... a imutabiliadade do tempo só pode existir ali... e quando não houver mais homens, nem vacas e hipógrifos, e se mesmo nosso sol adormecer além do tempo haverá acariciando a terra morta a bria, o vento Só é certo que fui interrompido ao escrever este poema e talvez nunca mais o capture, afinal... eram só psicografias..... e como Santo Agostinho, se quando pensava o tempo o sabia, mas quando o escrevia já não sabia mais, afinal o tempo já passou e espero que não o tempo de minha alma, hoje - eu sabia, mas petrificou-se no tempo minha memoria vento frio (poema/prosa de Paulo W)
(imagem: "Nas Montanhas da Loucura", de Paulo W)

Renaissance Coiffure (dingbats free download)


Aqui está a minha nova fonte dingbat para free download, Renaissance Coiffure. enjoy mas não enjôe.

ALLDE, EDWARD (dicionario de tipografos...)

Impressor londrino que nasceu em 1584 e faleceu em 1628, e era filho de John Allde cujo negócio de tipografia continuou. Imprimiu cerca de trezentas e setenta obras, entre as quais um livro de culinária e outro de jardinagem.

quarta-feira, junho 21

FICCAO CIENTIFICA X UTOPIA

A utopia é uma forma aparentada da ficcao cientifica. Tanto que em Os Despossuidos, Ursula K Leguin escreve um livro que, uma vez utopia, tambem o é ficcao cientifica. Talvez Utopia seja a ficcao cientifica politizada, instrumento literario de ficcao assumida para defender uma visao politica, a utopia. Vemos por exemplo 1984 e Admiravel Mundo novo como exemplos mais marcantes e podemos voltar no tempo até a Utopia de Tomas Morus como o primeiro livro, quica, de ficcao cientifica. Porem, as citacoes sobre a Atlantida, antes de serem obra de historiografia de Herodoto, não seriam talvez utopias trasvestidas de narrativa historica? ou seria a primeira obra de ficcao cientifica da historia? Quando Tomas Moore escreve a Utopia não estaria em parte inspirado estetica e politicamente pela obra de Herodoto? Sabemos que o classicismo greco-romano em Moore e principalmente em seu amigo Erasmo era parte importante de suas leituras e formacoes...

Suicidio para o bem da coletividade: duas passagens utopicas: uma na utopia de morus, outro na "noite dos tempos", um livro de ficção cientifica lido na adolescencia e do qual não me recordo o autor

qual a trilha sonora para a Utopia de Morus? certamente não seria Six Wives of Henry VIII de Rick Wakeman!!! (foto: Rick Wakeman em Voyage to the Centre of The Earth)

ALBUQUERQUE, LUIS da S. MOUSINHO (litografia)

Considerado o introdutor da Litografia em Portugal, estudou na capital francesa, por mera curiosidade, o novo processo impressório. Em 1822 enviou ao pintor Domingos António de Sequeira uma prensa e algumas pedras litográficas e outros apetrechos necessários para imprimir litográficamente, bem como penas próprias para o desenho litográfico. Apesar de nunca ter feito qualquer impressão litográfica em Portugal, ainda assim Luís Mouzinho de Albuquerque é considerado o introdutor da arte em Portugal, pese embora seja possivel que a impressão litográfica já fosse conhecida no país desde a primeira invasão das tropas de Napoleão, pois que nas tropas francesas vieram oficiais possuidores de qualidades artísticas e com conhecimentos técnicos da nova arte como Lejeune, Lomet e o conde Forbin. (de "Dicionário de Tipógrafos e Litógrafos Famosos")(ilustração litográfica, fonte nem me lembro). QUER UMA FONTE FREE DOWNLOAD COM PENTEADOS MEDIEVAIS COMO ESTE? CLIQUE AQUI.

por que no brasil as coisas não funcionam?

por que no brasil as coisas não funcionam?

tenho muitas opiniões a respeito. uma delas é a leviandade com que tratamos as coisas. o exemplo mais vivido por mim no dia a dia é a quantidade impressionante de e-mails tratando de assuntos sérios não respondidos por pessoas e instituições. vou citar a contraprova para deixar claro: NENHUM dos e-mails que mandei nos ultimos dois anos a estrangeiros deixou de ser respondido. TODOS foram rapidos em atender. MUITO foram no mesmo dia. a titulo de ilustração vou repetir aqui um que estou ha doze meses esperando retorno:

"
Ao mosteiro de São Bento

e-mail para o responsável pelo acervo da biblioteca do mosteiro

Prezado Sr/Sra

Semanas atras capturei na internet um pequeno pdf dando conta de alguns detalhes sobre o rico acervo da mosteiro, citando, inclusive sua coleção de incunábulos.

Acontece que sou designer gráfico e venho desenvolvendo um trabalho de criação de fontes tipográficas digitais embasadas a sua maioria em circunstancias e usos históricos. Neste sentido, por exemplo, venho desenvolvendo uma coleção relativa a Companhia de Jesus, cujo primeiro fruto é uma fonte totalmente facsimilar à usada pelos jesuítas na Dovtrina Christam Concani, impressa em Goa em 1622

Interessou-me os relatos sobre o vosso acervo, principalmente sobre os incunábulos. Gostaria, portanto de saber se, como alguns mosteiros europeus, teriam parte do acervo digitalizado para consulta e também saber do e-mail de algum historiador ou irmão do mosteiro interessado nesta temática que pudesse me auxiliar na obtenção de fontes de dados.

Desnecessário seria dizer, que este tipo de trabalho, uma vez realizado, é mais uma pedra no edifício de preservação e divulgação da memória, tanto da ordem Beneditina, quando do nacional

atenciosamente,

paulo w

Paulo.w.designer@gmail.com"

conheça a fonte Dovtrina Christam Concani 1622

estudos


estou em falta com estes assuntos no meu interesse de aprimorar o conhecimento

1
verificar o significado de “priscas eras", se deriva de Tarquinio Prisco, um dos.
primeiros reis de Roma, em alusao a antiguidade, recuo no tempo. os primeiros reis de roma são considerados lendários por alguns, e por outros pesquisadores teriam existido de fato; vide se Tarquinio era de origem etrusca, conforme hq de Martin Mystere; quem eram os Tarquinios??? Os tarquinios, antigos etruscos??? – em poetica prisco é o que pertence ao tempo passado, antigo velho, pristino, talvez derive-se mesmo de tarquinios prisco e dos tarquinios, até porque foram reis meio que lendarios de roma. (foto: Adriano, imperador romano). VALE AQUI A DICA DE LEITURA FENOMENAL: MEMÓRIAS DE ADRIANO, de MARGUERITE YOURCENAR

2
em Um Estudo Em Vermelho, grande parte da historia se passa numa comunidade mormon. O teor da narrativa sobre os mormons que faz Doyle é de critica de costumes e moral. Outro autor contemporaneo de Doyle, Julio Verne, em sua A Volta ao Mundo em 80 dias tambem os critica, mas em tom de galhofa e humor. Faz-se necessario ler mais a respeito dos mormons


3
Cornelius Agrippa alquimista medieval, citado em frankenstein. eu tenho um pdf fac-similar que é a digitalização de um manual de esgrima escrito por um Agrippa. foram pessoas diferentes?

invunche


Que eu goste de contos de misterio e sobrenatural é verdade. Filmes de terror, livros, contos, folclore, mitologia, tudo isso me acompanha desde a infancia. Na década de 80, dentre as hqs que eu adorei ler estavam as séries Gotico Americano e outras historias envolvendo o Monstro do Pantano na espetacular fase da dobradinha Stephen Bissete e Alan Moore. Pois bem, dos personagens que perambularam por aquelas saudosas paginas um que me impressionou profundamente até os dias de hoje foi o "Invunche". E aqui vai uma palhinha do dito cujo, que colocaria nosso Saci-Pererê no chinelo. Os links são chilenos, pois estas lendas são da região de Chiloé.

"Llamado también Machuco de la cueva, es un humano monstruo que camina en tres patas, tiene la cara vuelta hacia atrás y la pierna derecha pegada al espinazo; producto de la acción de los brujos. El estado primitivo del invunche era un niño normal, quien fue regalado a los brujos para ser el portero guardián de sus cueva. No habla solo emite sonidos guturales que asustan a los que los escuchan, anda completamente desnudo y se alimenta de carne humana que le dan los brujos. A pesar de no ser iniciado en brujería ha adquirido una infinidad de conocimientos, por esto que aparte de cuidar la cueva aconseja a los brujos inexpertos. Si alguien lo mira queda por siempre..." (ilustração ao lado: Viuda)

Visitando estes sites (site 1, site 2) voce poderá ter o prazer de conhecer pessoalmente também o Brujo, a Fiura, a Viuda, Basilisco, Pincoya, Trauco, Caleucha, Voladora, Chuchivilu, Camahueto e muitos outros.