quinta-feira, novembro 30

Giornale Nuovo, Mr H and a great partnership begins...

para quem não conhece existe um site na Internet fabuloso no que diz respeito ao resgate e publicidade de antigos autores, artistas e livros, mantido pelo Mr Stuart (Mr H), um bibliófilo e colecionador de marca maior, que tem, entre muitas de suas predileções, um verdadeiro amor aos alfabetos exóticos. seu site, o Giornale Nuovo traz, aos amantes - mesmo a quem não conhece - da cultura, pérolas do mais fino brilho, e não estou exagerando.

nas palavras do próprio Mr Stuart, voce entenderá como tudo começou:

"I am a 37-year-old man who decided, four Octobers ago, to keep a public weblog, journal and scrapbook. I live with my beautiful wife, our boisterous dog and our two fluffy cats in an apartment in an hotel in a town on the Baltic coast of southern Sweden. I was born in Wales and have spent most of my life in the UK, but have also lived in Italy, and, briefly, in Atlantic Canada. I work as an IT consultant for a telecoms company.

Self-portrait with cigar & TV, Oct. '06.
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About the Giornale

My Giornale Nuovo began some time before I’d heard of weblogs or on-line journals, as a heading I dreamt up for a tentative collection of notes which I’d begun typing into a Word document on my office PC. In fact, at that time I had no web-access from my work-station at all. The first of these notes, dated August 31st ’99, begins thus:

Granted that I’ve rarely a moment to hand at home in which to scribble a daily thought, why not here at work, I’m thinking, in those quiet moments between times that need filling somehow. More correctly, it’s not the lack of time which has kept me from keeping a ‘giornale’, but rather a shortage of solitude. It seems I write comfortably only when alone…

Giornale is Italian for journal, (also newspaper) and nuovo just means new, by which I mean new when compared to the notebook diaries I’d previously kept. My use of Italian here is not altogether pretentious, as I had spent a couple of years living and working in Rome, during which time I had picked up a smattering of the language.

My few diary-style entries were interspersed with ideas for stories, essays, etc., and never amounted to more than a few pages in total. Even so, I made sure they were stashed away safely when we made our move from the UK to Sweden at the end of August ’00. A few months after our arrival here, my curiosity was pricked by an entry about on-line diaries in the memepool web-log (the first such I had discovered), which led me to find the Open Diary site. I began my Giornale in earnest there on January 5th ’01. By October of that same year I’d surprised myself by accumulating almost 82,000 words. Another 57,000 followed in a second instalment that kicked off at the end of January ’02.

This, the first public volume of my Giornale, began as a continuation of my ‘Open Diary’, but has gradually changed over the past couple of years such that it has become much more like a kind of scrapbook and less like a day-by-day diary than before. It is an accumulation of inconsequential notices in the shape of a web-log. Inevitably, perhaps, I find the new entries are coming less and less frequently, but I’m still enjoying myself here, and hope to keep it going for another year or two yet.

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agora, a grande novidade para a Intellecta: Mr Stuart acaba de enviar-nos dois de seus rarissimos exemplares com alfabetos exóticos e antigos para a criação de mais uma série de novas fontes históricas e revivals.mais detalhes em novos posts. com a palavra final, Mr H:

"Hi Paulo,

Many thanks for your kind words about my site. and thank you too for the links to your work: I am very impressed with your fonts!

I wonder if it might be easier for me to mail the de Bry book to you: then you could scan and examine the alphabets in it at leisure. I would be happy to lend the book to you for as long as you need: just send me your address.

Thanks again, & Regards,
Stuart (Mr. H)"

dentre os alfabetos que estamos recebendo está o de Theodor de Bry (figura abaixo):

segunda-feira, novembro 27

Para ser designer é preciso saber desenhar?

excertos de uma discussão no forum da DG

paulo w:
... as ferramentas mudam e surgem assim, novos profissionais. O que se mantém inalterada no tempo é a capacidade humana de ocupar espaços. explico:

houve um tempo em que o artista tinha de saber esculpir em pedra para vender o seu layout: e assim alguém desenhou belissimas capitais romanas na Coluna de Trajano. um layout que perdura até hoje, de um artista cujo nome se perdeu nas brumas

ainda houveram (nessa sequencia) os papiros, os pergaminhos, o papel de trapo e o de celulose que usamos hoje em dia. para cada uma destas inovações surgiram artistas que as souveram aproveitar, que souberam usar a ferramenta adequada para cada superficie e outros tantos que foram perdendo o emprego.

saber desenhar faz parte desta relatividade da história da arte, e agora do design. muitos de nós (eu entre eles) não conseguimos um bom traço a pincel e lápis. porém muitos artistas plásticos não sabem tocar num mouse.

imprescindivel? nem uma coisa nem outra. o que acontece é que o nosso mundo contemporaneo abarca a soma de todas as tecnologias inventadas, de maneira que há espaço ainda para o escultor, o pintor, o caligrafo, o desenhista e, enfim, esta nova espécie: o artista/designer/técnico digital

o que não me deixa sempre de surpreender aqui na lista é a aparente necessidade que temos de - para entender - colar rótulos nas coisas

garcia junior:
Muito bom teu comentário Paulo.

Era justamente o que eu queria: gerar o debate sobre o tema com o artigo. Vale a pena dizer que o "ato criativo" é feito usando-se ferramentas e suportes. O ato de desenhar manteve-se o mesmo durante milênios (idéia-mão-ferramenta-suporte-resultado). Esse processo ainda se mantém só que a ferramenta é o mouse ou a caneta de uma tablet. Os aplicativos gráficos ajudam e muito quem não tem a habilidade de se expressar com lápis e papel, mas se você já a tiver ajuda. E muito.

Também vale ressaltar a diferença entre o artista e o designer. Esse tema é explosivo, mas tenho minhas opiniões. Um artista pode ser designer e vice-versa, basta que a motivação, metodologia e resultado sejam alterados. O artista parte para criação, geralmente, por uma motivação interna (emoção/inquietação) e sua peça (obra de arte) tem um caráter de sublimação, originalidade e unicidade. O designer parte, geralmente, por uma motivação externa (cliente/encomenda) e sua peça (produto) tem um caráter de pragmatismo, reprodução e multiplicação. De acordo com o contexto histórico e cultural em que a produção visual é analisada ela poderá ser considerada arte ou design.

Exemplo: Michelangelo não pintou a Capela Sistina só por que queria, ele recebeu uma encomenda da Igreja. Mas nem por isso o resultado do que ele fez deixa de ser Arte. Mas se hoje uma pessoa recebe a encomenda de fazer uma montagem fotográfica com alguns efeitos especiais e uma frase (slogan) para divulgar um evento religiosos qualquer a ser veiculado num painel numa fachada de um templo ou igreja, o que essa pessoa fez não foi arte e sim design. Mas quem sabe daqui a 500 anos não pode ser considerado Arte?

Outro exemplo: as crateras (vasos tipos de vasos) gregas eram pintadas com temas mitológicos carcaterizando a cultura daquele lugar. Na época isso era considerado uma arte inferior à Escultura e à Arquitetura produzidas na Grécia. Mas hoje em dia uma cratera grega é um relíquia da Arte e Cultura daquela civilização.

Pra concluir acredito que nada pode ser absoluto, Mas relativismos demais complicam as coisas também. Temos de levar sempre em consideração o contexto em que a peça é criada, sua finalidade original, técnicas e materiais com que foram concretizados e seu modo de exposição.

Estas frases acima me inspiraram a escrever outro artigo no meu site, o Imagética.

allan sulleiman:
Na minha opinião, o objetivo do design é criar uma forma com funcionalidade, ou seja, criar um material estéticamente "bonito", não entrarei na questão do que é bonito ou não, mesmo pq o bonito não faz parte do design, o bonito é gosto, e no design gosto não se discute e sim a função, então como estava dizendo, criar um material estéticamente "bonito" com funcionalidade, ou seja, com conceito. Para isso, o designer utiliza-se de diversas ferramentas, e uma delas é o desenho, agora, se esse mesmo designer não sabe utilizar um lápis em cima de um papel, porém consegue atingir seu objetivo de criar algo com uma forma e função adequadas ao que lhe foi solicitado, esse designer não precisa saber desenhar.

Essa é minha opnião, concordam comigo?

rivaldo barbosa:
Bem, minha opinião é a de que saber desenhar não implica necessariamente em ser artista, dominar anatomia, luz&sombra, vestimenta, perspectiva, etc., mas saber dominar no nível básico do desenho, saber compor, elaborar configurações, formas básicas, que serão usadas como ponto de partidas nos projetos de design.

Imagine agora se a Bauhaus abrisse mão das aulas de desenho para os alunos. Achasse que era coisa de outra época, que o desenho não deve fazer parte dos conhecimentos do designer.
Concordo com alguns colegas que as ferramentas mudam, mas os princípios permanecem. Como eu posso compor uma imagem usando mouse se não consigo fazer o mesmo com um simples lápis?

Fechando, acho sim, que o designer deve dominar os 'princípios' do desenho. Os arquitetos que lidam com formas menos orgânicas que nós, precisam saber, por que nós não?

domingo, novembro 26

a beleza de um caracter: o estilo Bodoni

eis um estilo tipográfico que realmente nos hipnotiza por sua beleza voluptuosa: as bodonianas ou didonas. aqui vai um caracter meu, o "j" de uma fonte muito especial para mim: GrasVibert.

sábado, novembro 25

um lugar no Recife (8)




...um lugar no Recife. que lugar é este?

monogramas (continuação)


interessante notar que, dentre os posts que mais trazem visitas ao nosso blog, todos os dias, através da pesquisa do google, está o tema "monogramas". aqui vai um "monograma de todo o alfabeto", frances. para ver um micro ensaio meu sobre o tema veja o post "de como os monogramas evoluiram para logotipos" . doravante voltarei a postar mais sobre este assunto

outros posts relacionados:
alguns logotipos
marcas de impressores

posts em produção:
ideogramas antigos
heraldica
marcas de empresas da América do Norte no século XIX

sexta-feira, novembro 24

Joseph Glanvill (1)

ai vão as primeiras imagens de Joseph Glanvill.
nos proximos posts vamos falar sobre o próprio




esta aqui de cima inspirou uma flag de apresentação da fonte medieval Missal, da Intellecta



edgar allan poe: LIGEIA , + Joseph Glanvill


LIGÉIA1, de Edgar Allan Poe
(1838)

E ali dentro está a vontade que não morre. Quem conhece os mistérios da vontade, bem como vigor? Porque Deus é apenas uma grande vontade, penetrando todas as coisas pela qualidade de sua aplicação. O homem não se submete aos anjos nem se rende inteiramente à morte, a não ser pela fraqueza de sua débil vontade. Joseph GLANVILL (2)

JURO PELA MINHA ALMA que não posso lembrar-me quando, ou mesmo precisamente onde, travei, pela primeira vez, conhecimento com Lady Ligéia. Longos anos se passaram desde então e minha memória se enfraqueceu pelo muito sofrer. Ou, talvez, não posso agora reevocar aqueles pontos, porque, na verdade, o caráter de minha bem-amada, seu raro saber, sua estranha mas plácida qualidade de beleza e a emocionante e subjugante eloquência de sua linguagem musical haviam aberto caminho dentro do meu coração, a passos tão constantes e tão furtivos que passaram despercebidos e ignorados. Entretanto, acredito que a encontrei, pela primeira vez, e depois frequentemente, em alguma grande e decadente cidade velha das margens do Reno. Quanto à família... certamente ouvia-a falar a seu respeito. Que fosse de origem muito remota é coisa que não se pode pôr em dúvida. Ligéia! Ligéia! Mergulhado em estudos, mais adaptados que quaisquer outros, pela sua natureza, a amortecer as impressões do mundo exterior, é apenas por aquela doce palavra, Ligéia, que na imaginação evoco, diante de meus olhos, a imagem daquela que não mais existe. E agora, enquanto escrevo, uma lembrança me vem, como um clarão: que eu jamais conheci o nome de família daquela que foi minha amiga e minha noiva, que se tornou a companheira de meus estudos e finalmente a esposa de meu coração. Fora uma travessa injunção de Ligéia ou uma prova da força de meu afeto que me levara a não indagar esse ponto? Ou fora antes um capricho de minha parte, uma oferta loucamente romântica, no altar da mais apaixonada devoção? Só confusamente me lembro do próprio fato. Mas há alguma coisa de admirar no ter eu inteiramente esquecido as circunstâncias que o originaram ou o acompanharam? É, na verdade, se jamais o espírito de Romance, se jamais a pálida Ashtophet, de asas tenebrosas, do Egito idólatra, preside, como dizem, aos casamentos de mau agouro, então com mais certeza presidira ao meu. Há no entanto, um assunto querido, a respeito do qual a memória não me falha. É a pessoa de Ligéia. Era de alta estatura, um tanto delgada, e, nos seus últimos dias, bastante emagrecida. Tentaria em vão retratar a majestade, o tranquilo desembaraço de seu porte, ou a incompreensível ligeireza de elasticidade de seu passo. Ela entrava e saía como uma sombra. Jamais me apercebia de sua entrada no meu gabinete de trabalho, exceto quando ouvia a música de sua doce e profunda voz, quando punha sua mão de mármore sobre o meu ombro. Em beleza de rosto, nenhuma mulher jamais se igualou. Era o esplendor de um sonho de ópio, uma visão aérea e encantadora, mais estranhamente divina que as fantasias que flutuam nas almas dormentes das filhas de Delos. Entretanto, não tinha suas feições aquele modelado regular, que falsamente nos ensinam a cultuar nas obras clássicas do paganismo. "Não há beleza rara - disse Bacon, Lorde Verulam, falando verdadeiramente de todas as formas e gêneros de beleza - sem algo de estranheza nas proporções." Contudo, embora eu visse que as feições de Ligéia não possuíam a regularidade clássica, embora percebesse que sua beleza era realmente "esquisita" e sentisse que muito de "estranheza" a dominava, tentara em vão descobrir essa irregularidades e rastrear, até sua origem, minha própria concepção de estranheza. Examinava o contorno da fronte elevada e pálida: era impecável - mas quão fria, na verdade, é esta palavra, quando aplicada a uma majestade tão divina! - pela pele que rivalizava puro marfim, pela largura imponente e calma, a graciosa elevação das regiões acima das fontes; e depois aquelas luxuriantes e luzentes madeixas, naturalmente cacheadas, dum negro de corvo, realçando a plena força da expressão homérica: "cabelo hiacintino" considerava as linhas delicadas do nariz e em nenhuma outra parte senão nos graciosos medalhões dos hebreus, tinha eu contemplado perfeição semelhante. Tinham a mesma voluptuosa maciez de superfície, a mesma tendência quase imperceptível para o aquilino, mesmas narinas harmoniosamente arredondadas, a revelar um espirito livre. Olhava a encantadora boca. Nela esplendia de fato o triunfo de todas as coisas celestes: a curva magnífica do curto lábio superior, o aspecto voluptuoso e macio do inferior, as covinhas do rosto, que pareciam brincar, e a cor que falava; os dentes, refletindo, com uma irradiação quase cegante, cada raio da luz que sobre eles caía, quando ela os mostrava num sorriso sereno e plácido, que era no entanto o mais triunfantemente radioso de todos os sorrisos. Analisava a forma do queixo, e aqui também encontrava a graciosidade da largura, a suavidade e a majestade, a plenitude e a espiritualidade grega, aquele contorno que o deus Apolo só revelou num sonho a Cleómenes, o filho do ateniense. E depois eu contemplava os grandes olhos de Ligéia. Para os olhos, não encontramos modelos na remota antiguidade. Podia ser, também, que naqueles olhos de minha bem-amada repousasse o segredo a que alude Lorde Verulam. Eram, devo crer, bem maiores que os olhos habituais de nossa raça. Eram mesmo mais rasgados que os mais belos olhos das gazelas da tribo de Nourjahad. No entanto, era somente a intervalos, em movimentos de intensa excitação, que essa peculiaridade se tornava mais vivamente perceptível em Ligéia. E, em tais momentos, era a sua beleza - pelo menos assim surgia diante de minha fantasia exaltada - a beleza de criaturas que se acham acima ou fora da terra, a beleza da fabulosa huri dos turcos. As pupilas eram do negro mais brilhante, veladas por longuíssimas pestanas de azeviche. As sobrancelhas, de desenho levemente irregular, eram da mesma cor. Toda a "estranheza" que eu descobria nos olhos era de natureza distinta da forma, da cor ou do brilho deles e devia ser, decididamente, atribuida à sua expressão. Ah, palavra sem significação, e simples som, por trás de cuja vasta latitude entrincheiramos nossa ignorância de tanta coisa espiritual. A expressão dos olhos de Ligéia. . . Quantas e quantas horas refleti sobre ela! Quanto tempo esforcei-me por sondá-la, durante uma noite inteira de verão! Que era então aquilo - aquela alguma coisa mais profunda que o poço de Demócrito - que jazia bem no fundo das pupilas de minha bem-amada? Que era aquilo? Obsessionava-me a paixão de descobri-lo. Aqueles olhos, aquelas largas, brilhantes, divinas pupilas tornaram-se para mim as estrelas gêmeas de Leda e eu para elas o mais fervente dos astrólogos. Não há caso, entre as numerosas anomalias incompreensíveis da ciência psicológica, mais emocionantemente excitante do que o fato - nunca, creio eu, observado nas escolas - de nos encontrarmos muitas vezes, em nossas tentativas de trazer à memória alguma coisa há muito tempo esquecida, justamente à borda da lembrança, sem poder, afinal, recordar. E assim, quantas vezes, na minha intensa análise dos olhos de Ligéia, senti aproximar-se o conhecimento completo de sua expressão! Senti-o aproximar-se, e contudo não estava ainda senhor absoluto dele, e por fim desaparecia totalmente! E (estranho, oh, o estranho de todos os mistérios!) descobri nos objetos mais comuns do universo uma série de analogias para aquela expressão. Quero dizer que, depois da época em que a beleza de Ligéia passou para o meu espírito e nele se instalou como num relicário, eu deduzia de vários seres do mundo material, uma sensação idêntica a que me cercava e me penetrava sempre, quando seus grandes e luminosos olhos me fitavam. Entretanto, nem por isso sou menos paz de definir essa sensação, de analisá-la, ou mesmo de ter dela uma percepção integral. Reconheci-a, repito-o, algumas vezes no aspecto duma vinha rapidamente crescida, na contemplação de uma falena, duma borboleta, duma crisálida, duma corrente de água precipitosa. Sentia no oceano, na queda dum meteoro. Senti-a nos olhares de pessoas extraordinariamente velhas. E há uma ou duas estrelas no céu (uma especialmente, uma estrela de sexta grandeza dupla e mutável, que se encontra perto da grande estrela da Lira) que, vistas pelo telescópio, me deram aquela sensação. Sentindo-me invadido por ela ao ouvir certos sons de instrumentos de corda e, não poucas vezes, ao ler certos trechos de livros. Entre numerosos outros exemplos, lembro-me de alguma coisa num livro de Joseph GLANVILL que (talvez simplesmente por causa de sua singularidade, quem sabe lá?) jamais deixou de inspirar-me a mesma sensação: "E ali dentro está a vontade que não morre. Quem conhece os mistérios da vontade, bem como seu vigor? Porque Deus é apenas uma grande vontade, penetrando todas as coisas pela qualidade de sua aplicação. O homem não se submete aos anjos nem se rende inteiramente à morte, a não ser pela fraqueza de débil vontade." Com o correr dos anos e graças a subseqüentes reflexões, consegui descobrir, realmente, certa ligação remota entre esta passagem do moralista inglês e parte do caráter de Ligéia. Uma intensidade , de pensamento, de ação ou de palavra era possivelmente nela resultado, ou pelo menos sinal, daquela gigantesca volição que, durante nossas longas relações, deixou de dar outras e mais imediatas provas de sua existência. De todas as mulheres que tenho conhecido, era ela, a aparentemente calma, a sempre tranqüila Ligéia, a mais violentamente presa dos tumultuosos abutres da paixão desenfreada. E só podia eu formar uma estimativa daquela paixão pela miraculosa dilatação daqueles olhos que, ao mesmo tempo, me encantavam e atemorizavam, pela quase mágica melodia, pela modulação, pela clareza e placidez de sua voz bem grave e pela selvagem energia (tornada duplamente efetiva pelo contraste com sua maneira de emiti-las) das ardentes palavras que habitualmente pronunciava.

Falei do saber de Ligéia: era imenso, como jamais encontrei em mulher alguma. Era profundamente versada em línguas clássicas, e tão longe quanto iam meus próprios conhecimentos das modernas línguas européias, nunca a descobri em falta. E na verdade, em qualquer tema dos mais admirados, precisamente porque mais abstrusos da louvada erudição acadêmica, encontrei eu jamais Ligéia em falta? Quão singularmente, quão excitantemente, este único ponto da natureza de minha mulher havia, apenas neste último período, subjugado a minha atenção! Disse que seu saber era tal como jamais conhecera em mulher alguma, mas onde existe o homem que tenha atravessado e com êxito, todas as vastas áreas da ciência moral, matemática? Eu não via então o que agora claramente os percebo, que os conhecimentos de Ligéia eram gigantescos, espantosos. Entretanto, estava suficientemente cônscio de sua infinita supremacia para resignar-me, com uma confiança de criança, a ser por ela guiado através do caótico mundo da investigação metafísica em que me achava acuradamente ocupado durante os primeiros anos de nosso casamento. Com que vasto triunfo, com que vivo deleite com que tamanha esperança etérea sentia eu - quando ela se curvava sobre mim, em meio de estudos tão pouco devassados, tão pouco conhecidos - alargarse pouco a pouco, diante de mim aquela deliciosa perspectiva, ao longo de cuja via esplêndida e jamais palmilhada podia eu afinal seguir adiante até o termo de uma sabedoria por demais preciosa e divina para não ser proibida!

Quão pungente, então, deve ter sido o pesar com que, depois de alguns anos, vi minhas bem fundadas esperanças criarem asas por si mesmas e voarem além! Sem Ligéia, era apenas uma criança tateando no escuro. Sua presença, somente suas lições podiam tornar vivamente luminosos os muitos mistérios do transcendentalismo em que estávamos imersos. Privado do clarão radioso de seus olhos, aquela literatura leve e dourada tornava-se mais pesada e opaca do que o simples chumbo. E agora aqueles olhos brilhavam cada vez menos frequentemente sobre as páginas que eu esquadrinhava. Ligéia adoeceu. Os olhos ardentes esbraseavam numa refulgência por demais esplendorosa; os pálidos dedos tomaram a transparência da morte e as veias azuis, na elevada fronte, intumesciam-se, e palpitavam, impetuosamente, aos influxos da mais leve emoção. Vi que ela ia morrer e, desesperadamente, travei combate em espirito com o horrendo Azrael. E os esforços daquela mulher apaixonada eram, com grande espanto meu, mais enérgicos mesmo do que os meus. Havia muito na sua severa natureza para fazer-me crer que, para ela, a morte chegaria sem terrores; mas assim não foi. As palavras são impotentes para transmitir qualquer justa idéia da ferocidade de resistência com que ela batalhou contra a Morte. Eu gemia de angústia diante daquele lamentável espetáculo. querido acalmá-la, teria querido persuadi-la, mas na intensidade de seu feroz desejo de viver, de viver, nada mais que viver, todos os alívios e razões teriam sido o cúmulo da loucura. Entretanto nem mesmo no derradeiro instante, entre as mais convulsivas contorções do seu espírito ardente, foi abalada a externa placidez de seu porte. Sua voz tornou-se mais suave, tornou-se mais grave, mas eu não queria confiar na significação estranha daquelas palavras, sossegadamente pronunciadas. Meu cérebro vacilava quando eu escutava extasiado por uma melodia sobre-humana, aquelas elevações e aspirações que os homens mortais jamais conheceram até então. Que ela me amasse, não podia pô-lo em dúvida, e era-me fácil saber que, num peito como o seu, o amor não deveria ter reinado como uma paixão comum. Mas somente na morte é que compreendi toda a força de seu afeto. Durante longas horas, presas minhas mãos nas suas, derramava diante de mim a superabundância dum coração cuja devoção, mais do que apaixonada, atingia as raias da idolatria. Como tinha eu merecido a beatitude de ouvir tais confissões? Como tinha eu merecido a maldição de que minha me fosse roubada na hora mesma em que mais falta fazia? Mas sobre essa questão não posso suportar o demorar-me. Permiti-me apenas dizer que no abandono mais do que feminino de Ligéia a um amor, ai de mim!, inteiramente imerecido, concedido a quem era de todo indigno, eu afinal reconheci o princípio de sua saudade , com um desejo, tão avidamente selvagem, da vida que agora lhe fugia com tal rapidez. É essa violenta aspiração, essa ávida veemência do desejo da vida, apenas da vida, que não tenho poder para retratar, nem palavras capazes de exprimir. Bem no meio da noite durante a qual partiu, chamando autoritariamente, a seu lado, ela me pediu para repetir-lhe certos versos, que ela mesma compusera, não muitos dias antes; obedeci-lhe. Eram os que seguem: Vede! é noite de gala, hoje, nestes anos últimos e desolados! Turbas de anjos alados, em vestes de gaze, olhos em pranto banhados, vêm sentar-se no teatro, onde há um drama singular, de esperança e agonia; e, ritmada, uma orquestra derrama das esferas a doce harmonia. Bem à imagem do Altíssimo feitos, os atores, em voz baixa e amena, murmurando, esvoaçam na cena, São de títeres, só, seus trejeitos, sob o império de seres informes, dos quais cada um a cena retraça a seu gosto, com as asas enormes esparzindo invisível Desgraça!

Certo, o drama confuso já não poderá ser una dia olvidado, com o espectro a fugir, sempre em vão pela turba furiosa acossado, numa ronda sem fim, que regressa, incessante, ao lugar de partida; e há Loucura, e há Pecado, e é tecida de Terror toda a intriga da peça! Mas, olhai! No tropel dos atores uma forma se arrasta e insinua! Vem, sangrenta, a enroscar-se, da nua e erma cena, junto aos bastidores, a enroscar-se! Um a um, cai, exangue, cada ator, que esse monstro devora. E soluçam os anjos - que é sangue, sangue humano, o que as fauces lhe cora. E se apagam as luzes! Violenta, a cortina, funérea mortalha, sobre os trêmulos corpos se espalha, ao cair, com um rugir de tormenta. Mas os anjos, que espantos consomem, já sem véus, a chorar, vêm depor que esse drama, tão tétrico, é "0 Homem" e que o herói da tragédia de horror é o Verme Vencedor.

- Ó, Deus! - quase gritou Ligéia, erguendo-se sobre os pés e estendendo os braços para a frente num movimento espasmódico, quando terminei aqueles versos. - Ó, Deus! Ó, Pai Divino! Deverão ser essas coisas inflexivelmente assim? Não será uma só vez vencido esse vencedor? Não somos uma parte, uma parcela de Ti? .... quem conhece os mistérios da vontade, bem como seu vigor? O homem não se submete aos anjos, nem se rende inteiramente a morte, a não ser pela fraqueza de sua débil vontade. E então, como se a emoção a exaurisse, ela deixou os alvos caírem e regressou solenemente a seu leito de morte. E enquanto exalava os últimos suspiros, veio de envolta com eles um baixo murmúrio de seus lábios: "O homem não se submete aos anjos nem se rende inteiramente à morte, a não ser pela fraqueza de sua débil vontade." Morreu. E eu, aniquilado, pulverizado pela tristeza, não pude mais suportar a solitária desolação de minha morada, na sombria e decadente cidade à beira do Reno. Não me faltava aquilo que o mundo chama riqueza. Ligéia me trouxera bem mais, muitíssimo mais do que cabe de ordinário à sorte dos humanos. Depois, portanto de poucos meses de vaguear cansativamente e sem rumo, adquiri e restaurei, em parte, uma abadia que não denominarei em um dos mais incultos e menos freqüentados rincões da bela Inglaterra. A grandeza melancólica e sombria do edifício, o aspecto quase selvagem da propriedade, as muitas recordações tristonhas e vetustas que a ambos se ligavam tinham muito de união com os sentimentos de extremo abandono que me haviam levado àquela remota e deserta região do interior. Contudo, embora a parte externa da abadia, com sinais esverdinhados de ruína a pender em volta, apenas experimentasse pouca modificação, entreguei-me a perversidade como que pueril, e talvez com a franca esperança de encontrar alívio a minhas tristezas, a exibir dentro dela magnificência mais do que régia. Mesmo na infância, eu tomara gosto por tais fantasias, e agora elas me voltavam como uma extravagância do pesar. Ai! sinto quanto de loucura, mesmo incipiente pode ser descoberta nas tapeçarias ostentosas e fantasmagóricas nas solenes esculturas egípcias, nas fantásticas colunas, nos desenhos alucinados, nos desenhos alucinados dos tapetes enfeitados de ouro. Tornei-me um escravo acorrentado às peias do ópio, e meus trabalhos e decisões tomavam o colorido de meus sonhos. Mas não devo determe em pormenorizar tais absurdos. Permiti-me que fale só daquele aposento, maldito para sempre, aonde conduzi, como minha esposa, num momento de alienação mental - como sucessora da inesquecível Ligéia -, a loura Lady Rowena Trevanion, de Tremaine, de olhos azuis. Não há pormenor da arquitetura e decoração daquela câmara nupcial que não esteja agora presente a meus olhos. Onde estavam as almas da altiva família da noiva quando, movidas pela sede do ouro, permitiram que transpusesse o umbral dum aposento tão ataviado uma jovem e tão amada filha? Disse que me recordo minuciosamente dos pormenores do quarto, se bem que minha memória tristemente se esqueça de coisas de profunda importância; e não havia nenhuma sistematização, nenhuma harmonia, naquela fantástica exibição que cativasse a memória. O aposento achava-se numa alta torre da abadia acastelada, tinha a forma pentagonal, era bastante espaçoso. Ocupando toda a face sul do pentágono havia uma única janela, imensa folha de vidro inteiriço de Veneza, só pedaço e duma cor plúmbea, de modo que os raios do sol, ou da lua, passando através dele, lançavam sobre os objetos do interior uma luz sinistra. Sobre a parte superior dessa imensa prolongava-se a latada duma velha vinha que grimpara pelas maciças paredes da torre. O forro, de carvalho quase negro, era excessivamente elevado, abobadado e primorosamente ornado com os mais estranhos e os mais grotescos espécimes dum estilo gótico e semidruídico. Do recanto mais central dessa melancólica abóbada pendia, duma única cadeia de ouro de compridos elos imenso turíbulo do mesmo metal, de modelo sarraceno, e com numerosas perfurações, tão tramadas que dentro e fora delas se estorcia, como se dotada de vitalidade serpentina, uma continua sucessão de luzes multicores. Algumas poucas otomanas e candelabros de ouro, de forma oriental, ocupavam em redor vários lugares; e havia também leito - o leito nupcial - de modelo indiano, baixo e esculpido em ébano maciço, encimado por um dossel semelhante a um pano mortuário. Em cada um dos ângulos do quarto se erguia um gigantesco sarcófago de granito negro tirado dos túmulos dos reis em face de Lucsor, com m suas vetustas tampas cheias de esculturas imemoriais. Mas a fantasia principal, ai de mim!, se ostentava nas colgaduras do aposento . As paredes elevadas a gigantesca altura - acima mesmo de qualquer proporção - estavam cobertas, de alto a baixo, de vastos panejamentos duma pesada e maciça tapeçaria, que tinha seu similar no material empregado no tapete do soalho, bem como a cobertura das otomanas e do leito de ébano, no seu dossel e nas volutas das cortinas, que parcialmente ocultavam a janela. Esse material era um tecido riquíssimo de ouro, todo salpicado, a intervalos regulares, de figuras arabescas com cerca de trinta centímetros de diâmetro e lavradas no pano em modelos do mais negros azeviche. Mas essas figuras só participavam do caráter de arabesco quando observadas dum único ponto de vista. Graças a um processo hoje comum, e na verdade rastreável até a mais remota antiguidade, eram feitos de modo a mudar de aspecto. Para quem entrasse no quarto, tinham a aparência de simples monstruosidades, mas à medida que se avançava desaparecia gradualmente esse aspecto e passo a passo, à proporção que o visitante mudasse de posição no quarto, via-se cercado por uma infindável sucessão das formas espectrais pertencentes às superstições dos normandos ou que surgem nos sonhos pecaminosos dos monges. O efeito fantasmagórico era vastamente realçado pela introdução artificial duma forte corrente contínua de vento por trás das cortinas, dando horrenda e inquietante animação ao todo. Em aposentos tais como aquele, numa câmara nupcial tal como aquela, passava eu, com Lady de Tremaine, as horas não sagradas do primeiro mês do nosso casamento, e as passava com muito inquietação. Que minha mulher receava o violento mau-humor do meu temperamento, que me evitava e que me amava muito pouco eram coisas que eu não podia deixar de perceber. Mas isto isso me causava mais prazer que outra coisa. Eu a detestava com um ódio que tinha mais de diabólico que de humano. Minha memória retornava (oh, com que intensa saudade!) a Ligéia, a bem-amada, a augusta, a bela, a morta. Entregava-me a orgias de recordações de sua pureza, de sua sabedoria, de sua nobre, de sua etérea natureza de seu apaixonado e idolátrico amor. Agora, pois, plena e livremente, meu espírito se abrasava em chamas mais ardentes que as da própria Ligéia. Na excitação de meus sonhos de ópio (pois vivia habitualmente agrilhoado às algemas da droga) gritava seu nome em voz alta, durante o silêncio da noite, ou de dia, entre os recantos protetores dos vales, como se, pela ânsia selvagem, pela paixão solene, pelo ardor devorante de meu desejo pela morta, eu pudesse ressuscitá-la, nas sendas que abandonara nesta terra... será possível que para sempre? Cerca do começo do segundo mês do casamento, Lady Rowena foi atacada por súbita doença, da qual só lentamente veio a restabelecer-se. A febre que a consumia tornava suas noites penosas e no seu agitado estado de semi-sonolência referia-se ela a sons e a movimentos dentro e em redor do quarto da torre, e não podia deixar de atribuir senão ao desarranjo de sua imaginação ou talvez às fantasmáticas influências do próprio quarto. Veio afinal a convalescer. . . e, por fim, recobrou a saúde. Todavia mal se passara breve período, eis que segundo e mais violento acesso a lança de novo no leito de sofrimento; e deste ataque, seu corpo que sempre fora fraco, jamais se restabeleceu inteiramente. Desde essa época, sua doença tomou caráter alarmante e de recaídas mais alarmantes, desafiando ao mesmo tempo o saber e os grandes forços de seus médicos. Com o aumento da moléstia crônica, que é assim, ao que parecia, de tal modo se apoderara de sua constituição que não era mais possível erradicá-la por meios humanos, não podia eu deixar de observar idêntico aumento da irritação nervosa, de seu temperamento e da sua excitabilidade por triviais de medo. Referia-se novamente, e agora com mais freqüência e mais pertinácia, aos sons, aos mais leves sons e aos insólitos movimentos das tapeçarias, a que já antes aludira. Numa noite dos fins de setembro, chamou minha atenção, com insistência insólita, para o desagradável assunto. Ela acabava de despertar de um sono inquieto e eu estivera observando, com sentimentos mistos de ansiedade e vago terror, as contrações de sua fisionomia emagrecida. Sentei-me ao lado de seu leito de ébano, sobre uma das otomanas da Índia. Ela ergueu-se um pouco e falou num sussurro ansioso e baixo, de sons que ela então ouvia mas que eu não podia perceber. O vento corria com violência por trás das tapeçarias e eu tentei mostrarlhe (o que, confesso, eu mesmo não podia acreditar inteiramente) que aqueles sopros, quase inarticulados, e aquelas oscilações muito suaves das figuras na parede eram apenas o efeito natural daquela corrente costumeira de vento. Mas um palor mortal, espalhando-se em sua face, demonstrou-me que os esforços para reanimá-la seriam infrutíferos. Ela parecia desmaiar, e nenhum criado poderia ouvir se eu chamasse. Lembrei de onde fora guardado um frasco de vinho leve que os médicos haviam receitado e apressei-me em atravessar o quarto para ir buscá-lo. Mas, ao passar por sob a luz do turíbulo, duas circunstâncias de natureza impressionante me atraíram a atenção. Senti que coisa palpável, embora invisível, passara de leve junto de mim, e vi que jazia ali, sobre o tapete dourado, bem no meio do forte clarão lançado pelo turíbulo, uma sombra, uma sombra fraca, indecisa, de aspecto angélico, tal como o que se poderia imaginar ter a sombra de uma sombra. Mas eu estava desvairado pela excitação de uma dose imoderada de ópio e considerei essas coisas como nada, não falando delas a Rowena. Tendo encontrado o vinho, tornei a atravessar o quarto e enchi uma taça, que levei aos lábios da mulher desmaiada. Ela havia então, em parte, recuperado os sentidos, porém, e segurou o copo, enquanto eu me afundava numa otomana próxima, com os olhos presos à sua pessoa. Sucedeu então que percebi distintamente um leve rumor de passos sobre o tapete e perto do leito, e um segundo depois, quando Rowena estava a erguer o vinho aos lábios, vi ou posso ter sonhado que vi, caírem dentro da taça, como vindos de fonte invisível na atmosfera do quarto, três ou quatro grandes gotas de um líquido brilhante, cor de rubi. Se eu o vi, não o viu Rowena. Bebeu o vinho sem hesitar e eu contive-me de falar-lhe de uma circunstância que, julguei, devia, afinal de contas, ter sido apenas a sugestão de uma imaginação viva, tornada morbidamente ativa pelo ópio e pela hora da noite. Não posso, contudo, ocultar de minha própria percepção que, imediatamente após a queda das gotas de rubi, uma rápida mudança para pior se verificou na enfermidade de minha mulher; assim que, na terceira noite subsequente, as mãos de seus criados a preparavam para o túmulo, e na quarta, eu me sentei só, com seu corpo amortalhado, naquele quarto fantástico que a recebera como minha esposa. Fantásticas visões, geradas pelo ópio, esvoaçavam como sombras à minha frente. Contemplei com olhar inquieto a essa armada nos ângulos do quarto, as figuras oscilantes da tapeçaria e o enroscar-se das chamas multicoloridas do turíbulo, no alto. Meus olhos então caíram, enquanto eu recordava as circunstâncias de uma noite anterior, sobre o lugar por baixo do clarão do turíbulo, onde eu vira os fracos traços da sombra. Ela, contudo, já não estava mais ali, e, respirando com maior liberdade, voltei a vista para a pálida e rígida figura que jazia no leito. Então precipitaram-se em mim milhares de recordações de Ligéia, e então recaiu-me no coração, com a violência turbulenta de uma torrente, o conjunto daquele indizível sentimento de desgraça com que eu a contemplara, a ela, amortalhada assim. A noite avançava e ainda, com o peito cheio de amargas lembranças dela, a única e supremamente amada, eu continuava a olhar o corpo de Rowena. Podia ser meia-noite, ou talvez mais cedo ou mais tarde, pois eu não notava o decorrer do tempo, quando um soluço, baixo, suave, mas bem distinto, me sobressaltou do sonho. Senti que ele vinha do leito de ébano, do leito da morta. Prestei ouvidos, numa agonia de terror supersticioso, mas não houve repetição do som. Agucei a vista para apreender qualquer movimento do cadáver, mas perceptivelmente nada havia. Contudo, eu não podia ter sido enganado. Ouvira o ruído, embora fraco, e minha alma despertara dentro de mim. Resoluta e perseverantemente conservei a atenção fixa no corpo. Muitos minutos decorreram antes que qualquer circunstância ocorresse tendente a atirar luz sobre o mistério. Afinal, tornou-se evidente que uma coloração fraca, muito fraca e mal perceptível, corava as faces e se estendia nas pequenas veias deprimidas das pálpebras. Através de uma espécie de horror e espanto indizíveis, para os quais a linguagem humana não tem expressões suficientemente significativas, senti meu coração deixar de bater e meus membros se enrijeceram, no lugar em que estava sentado. O senso do dever, contudo, agiu para devolver-me o domínio de mim mesmo. Não podia mais duvidar de que havíamos sido precipitados em nossos preparativos, de que Rowena ainda vivia. Era necessário que se fizesse alguma tentativa; entretanto, o torreão estava completamente separado daquela parte da abadia em que residiam os criados, e não havia nenhum que se pudesse chamar; eu não podia ordenar-lhes que me ajudassem sem deixar o quarto por muitos minutos e isso não me podia aventurar a fazer. Lutei, portanto, sozinho, nas tentativas para chamar de volta o espirito que ainda pairava sobre o corpo. Em curto período tornou-se certo contudo, que uma recaída se verificara; a coloração desapareceu tanto das pálpebras como da face, deixando em seu lugar uma palidez ainda maior do que a do mármore; os lábios tornaram-se duplamente fechados e contorcidos, na espantosa expressão da morte; uma frialdade e uma viscosidade repulsivas espalharam-se rapidamente na superfície do corpo; e sobreveio imediatamente toda a costumeira e rigorosa rigidez. Caí, trêmulo, sobre a poltrona que me erguera tão sobressaltadamente e de novo me entreguei as apaixonadas recordações de Ligéia. Uma hora assim decorreu, quando (podia ser possível?), verifiquei, pela segunda vez, que certo som indeciso saía da região do leito. Prestei ouvidos, na extremidade do horror. Repetiu-se o som, era um suspiro. Correndo para o cadáver, vi, vi distintamente um tremor em seus lábios. Um minuto depois, eles se abriram, exibindo uma fileira brilhante de dentes de pérola. A estupefação agora lutava em meu corpo, com o profundo horror que até então dominara sozinho. Senti que minha vista se ensombrava, que minha razão divagava; e foi só com violento esforço que afinal consegui dominar os nervos para entregar-me à tarefa que o dever assim mais uma vez me apontava. Havia agora um brilho parcial na fronte, na face e na garganta; um calor perceptível invadia todo o corpo; havia mesmo um leve bater do coração. A mulher vivia, e com redobrado ardor entreguei-me ao trabalho de reanimá-la. Esfreguei-lhe e banhei-lhe as têmporas e as mãos e usei de todos os esforços que a experiência e não pouca leitura de assuntos médicos puderam sugerir. Mas em vão. De súbito, a cor desapareceu, a pulsação cessou, os lábios retomaram a expressão cadavérica e, um instante depois, todo o corpo se tornou de frialdade de gelo, com a coloração lívida, a rigidez intensa, os contornos cavados e todas as particularidades repulsivas de quem tinha sido, durante muitos dias um habitante do sepulcro. E imergi de novo nas recordações de Ligéia, e de novo ( será de admirar que eu estremeça ao escrevê-lo?), de novo alcançou meus ouvidos um baixo soluço vindo da região do leito de ébano. Mas por que irei pormenorizar miudamente os indescritíveis horrores daquela noite? Por que me demorarei a relatar como de tempo em tempo, até quase a hora acinzentada do alvorecer, se repetiu esse horrendo drama de revivificação? E como cada terrível recaída só o era numa morte mais profunda e aparentemente mais irremissível? E como cada agonia tinha o aspecto de uma luta com algum adversário invisível? E como a cada luta se sucedia não sei que estranha mudança na aparência pessoal do cadáver? Permiti que apresse a conclusão. A maior parte da noite terrível se fora e aquela que morrera, ,de novo, outra vez, se movera, e agora mais vigorosamente do que até então, embora erguendo-se de um aniquilamento mais apavorante, em seu extremo desamparo, do que qualquer outro. Eu já muito cessara de lutar, ou de mover-me, e permanecia rigidamente sentado na otomana, presa inerme de um turbilhão de emoções violentas, das quais o pavor extremo era talvez a menos terrível, a menos consumidora. O cadáver, repito, moveu-se, e agora mais violentamente do que antes. As cores da vida irromperam, com indomável energia, no seu rosto, os membros se relaxaram e, a não ser porque as pálpebras ainda se mantivessem estreitamente cerradas e porque os panejamentos e faxas tumulares ainda impusessem seu caráter sepulcral ao rosto, eu poderia ter sonhado que Rowena na verdade, repelira completamente as cadeias da Morte. Mas se essa idéia não foi, mesmo então, inteiramente adotada, eu não pude pelo menos duvidar mais quando, erguendo-se do leito, vacilando, com passos trôpegos, com os olhos fechados e com as maneiras de alguém perdido num sonho, a coisa amortalhada avançou ousada e perceptivelmente, para o meio do aposento. Não tremi… não me movi... pois uma multidão de inenarráveis fantasias, ligadas com o aspecto, a estatura, a maneira do vulto precipitando-se atropeladamente em meu cérebro, me paralisaram, me enregelaram em pedra. Não me movi, mas contemplei a aparição. Havia uma louca desordem em meus pensamentos, um tumulto não apaziguável. Podia, na verdade, ser Rowena viva que me enfrentava? Podia, de fato, ser verdadeiramente Rowena, a loura, a dos olhos azuis, Lady Rowena Trevanion de Tremaine? Por que, por que duvidaria disso? A faixa rodeava apertadamente a boca; mas então não podia ser a boca respirante de Lady de Tremaine? E as faces, onde havia rosas, como no esplendor de sua vida, sim, bem podiam ser elas as belas faces da viva Lady de Tremaine. E o queixo, com suas covinhas, como antes da doença, não podia ser o dela? Mas, então, ela crescera desde a doença? Quase inexprimível loucura me dominou com este pensamento? Um salto e fiquei a seu lado! Estremecendo ao meu contato, deixou cair a cabeça, desprendidos, os fúnebres enfaixamentos que a circundavam, e dali se espalharam, na atmosfera agitada pelo vento do quarto, compactas massas de longos e revoltos cabelos: e eram mais negros do que as asas de corvo da meia-noite! E então se abriram vagarosamente os olhos do vulto que estava à minha frente. Aqui estão, afinal chamei em voz alta -, nunca poderei enganar-me … Estes são os olhos grandes, negros e estranhos de meu perdido amor…de Lady. . . de "Lady Ligéia!"

1
Publicado pela primeira vez no American Mureum of Sciende, Literature and the Arts, setembro de 1838. Título original: LIGEIA.

2
diferentemente de nossas postagens anteriores de obras de Poe, nesta estamos colocando este link (clique aqui mesmo), que mostrará gravuras retiradas das obras de Joseph Glanvill

3
ilustração deste post: uma raridade ou antes, curiosidade: capa do LP com a gravação do conto Ligeia na voz do mestre Vincent Price

quinta-feira, novembro 23

biografia de H P Lovecraft



20/agosto/1890 - Nasce Howard Phillips Lovecraft em Providence, Rhode Island (costa leste americana) na casa de seus avós maternos na rua Angel Street, 194. Ano também do começo da ruína financeira de sua família com fracassos profissionais de seu avô materno. Na foto rara ao lado temos Lovecraft com uma espécie de saia e cabelos compridos e seu pai e mãe.

1893 (3 anos) - Seu pai Winfield Scott Lovecraft é internado no Butler Hospital em conseqüência de uma neurosífiles avançada. Contaram ao jovem H.P. Lovecraft que ele está paralisado e em coma. Neste período ele se aproxima mais de seu avô materno Whipple Van Bure Phillips e neste mesmo ano, precocemente, ele começa a ler.

1896 (6 anos) - Escreve sua primeira obra literária um poema em rima de incríveis 88 linhas, algo considerável para uma criança de apenas seis anos de idade e que ainda não houvera freqüentado a escola. Este gosto precoce e propenso a literatura provavelmente teve como forte influência seu avô que contava fantásticas histórias em estilo gótico a seu jovem neto. Além disto o jovem Howard dispunha na vasta biblioteca de seu avô de inúmeros gêneros literários indo deste mitologia clássica, suméria, inca, asteca, maia, franco-maçonaria até química. Este ano também foi marcado pela morte de sua avô materna Robie Alzada Place e o início de uma série de sonhos e pesadelos que o acompanharam pelo resto de sua vida, sendo fonte de inspiração para muitas de suas histórias, notadamente as das dreamlands.

1898 (8 anos) - Por influência do avô começa a estudar latim e química, matriculando-se na Slater Avenue School no último ano primário. Ele não chega a freqüentar o ano letivo completamente quando tem seu primeiro colapso nervoso que o obriga a protelar os estudos. Sai da escola primária e nos três anos seguintes não contratam tutores para ele deixando-o seguir seus próprios interesses. Este é também o ano em que morre seu pai, mas sem grandes prejuízos emocionais para o garoto, já que não o via desde os três anos de idade. Na foto logo abaixo, vemos Lovecraft com a idade de oito anos.


1902 (12 anos) - Retorna a escola e publica uma série de periódicos de astronomia, sendo que o de maior sucesso teve incríveis 69 edições. Ele não chegou a estudar astronomia na escola, mas ao que parece seu interesse deve ter surgido por conta dos livros da vasta biblioteca de seu avô, ele também ganhou muitos telescópios o que o motivou ainda mais no seu interesse. Talvez, parta daí o interesse deste autor em escrever histórias de ficção científica aliadas ao gênero terror.

1903 (13 anos) - Devido a crises nervosas ele se vê obrigado a deixar a escola novamente. Conta-se que numa ocasião devido a um grave problema de tiques nervosos ele chegou mesmo a cair de uma cadeira.

1904 (14 anos) - A situação financeira do avô vai de mal a pior e seus negócios, que já não iam bem, sofrem um duro golpe que o levam a depressão e a morte. Por conta disso sua família se vê obrigada a mudar para um apartamento modesto na 598 Angel Street. O jovem rapaz pensa inclusive em suicidar-se, mas desiste da idéia; em contrapartida tem a idéia de um dia comprar novamente a casa que fora de seu querido avô, sonho este que nunca realizaria. Apesar de todos estes problemas ele retoma mais uma vez seus estudos se matriculando na Hope Street Hight and Classical Hight School, vindo inclusive a publicar vários artigos sobre astronomia nos jornais locais a parti de seu segundo ano de estudos no colégio. Observamos que desde garoto ele se interessou muito pelo estudo da astronomia.

1908 (18 anos) - Devido ao mal desempenho em disciplinas de cálculo ele tem novamente um colapso nervoso e sai do colégio sem ter concluído o segundo grau e impedido definitivamente seu grande sonho de ser cientista e ingressar na Brow University.

1909 (19 anos) - A parti deste ano, para os próximos cinco anos seguintes H.P. Lovecraft sofre forte depressão por conta do ocorrido preferindo-se isolar e manter-se sociável apenas com uns poucos, vindo a ter uma vida social diminuta e a freqüentar apenas poucos lugares, alguns até por influencia de outros, como sua mãe por exemplo. Talvez, surja dai o jeito recluso e provinciano do autor, é sabido que tinha poucas condições financeiras para viajar e que gostava muito disto como fonte de inspiração para suas histórias, mas ao mesmo tempo ao longo de sua vida permaneceu praticamente isolado em Providence sendo ateísta (considerava o mundo um local ruim e de sofrimento) e sua única satisfação era a literatura e sua vasta correspondência com amigos, que falaremos mais adiante. Desta forma ele encontrava uma forma de expressão de sua vida social contida. Chegou mesmo a trocar incríveis 100.000 correspondências ao longo de sua vida. Também é importante frisar que ele era xenófobo e racista (mas, algo perfeitamente "normal" para a época em que viveu e que em nada o diminui), apenas nunca gostara de estrangeiros e diferença racial segundo dizem. Se bem que a coisa não é bem assim, tanto que sua futura esposa seria judia, separada e estrangeira, além do que 7 anos mais velha que ele, viúva (o marido se suicidara quando ela se separou) e com uma filha...

1914 (24 anos) - É admitido como membro da UAPA, uma associação de escritores amadores, após uma série de críticas bem construídas numa revista ficcional de romance. A foto abaixo Lovecraft é de 1915, ele a tirou para entrar na imprensa amadora.

13/03/1919 (29 anos) - Sua mãe é internada.

24/05/1921 (31 anos) - Devido a situação financeira precária para um mulher que sempre teve tudo o que queria na vida, sua mãe não resiste ao colapso nervoso e vem a falecer no mesmo hospital em que morrera seu pai anos atrás. Todos estes fatos somados o levam novamente a uma momentânea depressão. Apesar disto vai a uma conferência em Boston a convite da NAPA, outra associação de escritores amadores. Lá conhece Sonia H. Greene que se encanta pelo rapaz. Ao retornar a N.Y. Sonia escreve imediatamente para Lovecraft e e ela visita Providence e Lovecraft a leva para uma visita pela cidade histórica. Numa outra ocasião que retorna a Providence ela convence Lovecraft para viajar com ela para a região da Magnolia e Glouchester.


1922 (32 anos) - Tem uma série de contos recusados para publicação por revistas da época, mas foram aceitos pela nova revista Weird Tales por insistência de amigos seus que o motivaram a continuar tentando. É importante frisar aqui que esta revista viria a se tornar uma das maiores revistas da época reunindo grandes escritores, sendo cultuada até hoje pela sua importância editorial. A sua ficção, demasiado avançada para a época, atraiu um grupo restrito mas fiel de admiradores, alguns deles escritores consagrados que o impeliam a continuar a escrever. Formou-se aquilo que viria a ser conhecido como Lovecraft Circle, um grupo de escritores de ficção que trocavam correspondência e escreviam dentro de um estilo definido à partida pelo próprio H.P. Lovecraft. Um terror cósmico, iniciado a partir de uma mitologia envolvendo grandes deuses fictícios, não era um terror comum de vampiros e fantasmas (para Howard Phillips Lovecraft batido) e sim um terror psicológico, onde mais do que tentar dar susto e promover carnificinas o objetivo era envolver o leitor num clima proporcionado pela ambientação desenvolvida aliada a um estilo refinado de escrita. Junto a estes escritores, alguns até consagrados como seu grande amigo Robert E. Howard (criador de Conan - O Barbaro) eles desenvolveram esta mitologia fantástica que viria a ser conhecido com o nome de os "Mitos de Cthulhu". Neste período H.P. Lovecraft e seu grupo, devido a divergências saem da UAPA e ele tem um período de férias de 3 meses em que aproveita para viajar. Quando volta ele torna-se presidente interino da NAPA quando o então presidente resignou. Sendo desde cedo um leitor ávido, Lovecraft sofreu a influência de muitos outros escritores na sua obra. O seu autor favorito era Edgar Allen Poe. Além dos escritores que constituíam o Lovecraft Circle, William Hope Hodgson, Arthur Machen e o jornalista e autor de histórias fantásticas Ambrose Bierce o inspiraram no seu trabalho. Lord Dunsany foi claramente o autor que o influenciou a escrever histórias oníricas e a criar as suas "Dreamlands", e Algenon Blackwood a recorrer às lendas do índios norte-americanos. Além destes Robert W. Chambers, Walter de la Mare, M.R. James, M.P. Shiel e Gustav Meyrink o inspiraram. Além das influências humanas, e talvez de forma ainda mais marcante, H.P. Lovecraft inspirava-se nos seu conhecimentos científicos, astronômicos e filosóficos, assim como nos seu sonhos. Algumas das suas criações mais fantásticas surgiram pela primeira vez na sua mente enquanto dormia.

1923 (33 anos) - Sonia visita Lovecraft e eles viajam para Narragansett. Ficara na NAPA um ano, volta para a UAPA quando a facção que o tirara já tinha saído.

1924 (34 anos) - Não há convenção na UAPA devido a tramas da tal facção o que levaria ao fim da associação no ano de 1926.

03/03/1924 (34 anos) - Para a surpresa de todos casa-se com Sonia, mas avisa apenas por correspondência para suas queridas tias. Disse ele a esposa que fez isto para causar surpresa, quando na verdade sabia que elas jamais aceitariam que ele casar-se com uma mulher mais velha, judia, comerciante e estrangeira. Mudam-se para N.Y., e o casal parece prospero. Howard é convidado para ser editor da Weird Tales e Sonia vê seus negócios numa loja de chapeis aumentarem. Mas, infelizmente ele perde o emprego para outra pessoa e sua esposa tem que fechar a loja devido a poucas vendas. Neste período ele tenta arrumar emprego, mas a única coisa que consegui foi um emprego de vendedor - ficou dois dias, não vendeu nada e foi demitido em seguida.

1925 (35 anos) - Devido a estes problemas sua esposa tem um colapso e fica internada. Howard é roubado em seu apartamento em N.Y enquanto dormia no sofá o que o faz ficar desgostoso com a cidade. Suas tentativas de arrumar trabalho são infrutíferas o que faz seus esforços cada vez menores o levando a depressão.

1926 (36 anos) - Ambos são convidados por sua tia Lillian Clark a morar com ela em Providence. Mas, Sonia não poderia deixar o trabalho que arrumara e Lovecraft e a tia teriam enorme vergonha de serem sustentados por sua mulher. Ambos decidem seguir suas vidas sozinhos. Ao voltar a sua querida terra natal ele tem uma explosão de criatividade produzido inúmeras obras, agora muito grandes e impossíveis de serem publicadas em zines, as mesma foram escritas e deixada as traças.

1932 (42 anos) - Sua querida tia morre.

1933 (43 anos) - Devido as condições econômicas, ele e sua outra tia Gamwell mudam para a rua College Street, 66. Devido a suas histórias ficarem grandes e complexas ele trabalha como ghost-writer e revisor. Abaixo do lado esquerdo, a foto de 1934.


1936 (46 anos) - Seu grande amigo das correspondências Rober E. Howard se suicida, deixando Lovecraft triste e confuso. Enquanto isto a sua doença de câncer no intestino progride ele ele não conta nada a seus correspondentes, tentando levar uma vida normal.

1937 (47 anos) - Interna-se no Jane Brow Memorial Hospital.

15/03/1937 - Morre e é enterrado no mesmo dia no Swan Point Cemitery no jazigo da família, muito tempo depois foi feito um monumento apenas para ele. Durante sua curta vida ele nunca teve um livro sequer publicado apenas poemas, ensaios e contos em revistas amadoras ou de ficção. Seus correspondentes ficaram sabendo abismados com sua morte para eles repentina, pois Lovecraft não contou sobre sua saúde e como dissera Robert Bloch referindo-se aos mitos de Cthulhu "...o jogo tinha perdido a graça". Os trabalhos dos integrantes do "círculo" foram temporariamente interrompidos. Um de seus grandes amigos e admirado por Lovecraft, Clark Ashton Smith nunca mais escreveu tanto como antes e passou a se dedicar mais as artes. Nas fotos abaixo temos HPL com Robert Barlow, Bernice e Wayne Barlow. E ao lado uma foto com Frank Belknap Long.


Mas, apesar disto até hoje ainda existe escritores que desenvolvem estes temas e o círculo ainda vive. Decididos a preservar sua obra uns de seus correspondentes August Derleth e Donald Wandrei fundaram a editora Arkham House voltada inicialmente a publicação das obras de Lovecraft como livros de bolso. Apesar disto e de muitos filmes e jogos sobre suas obras (a maioria ruim) ele só ficou realmente conhecido graças a empresa Chaosium que lançou um jogo de RPG intitulado "Call of Cthulhu" que popularizou na década de 1980 tremendamente seu nome e ainda hoje é jogado, a partir dai foram surgindo mais filmes sobre suas obras e a própria Chaosium publicou excelentes livros (que ainda hoje podem ser encontrados) com histórias de Lovecraft e os demais integrantes do círculo. Sua obra influenciou tudo, ou quase, tudo que se produziu de terror nos próximos sessenta anos. O próprio escritor consagrado e ícone do gênero Stephen King (discípulo confesso de Lovecraft) disse certa vez que "ninguém escreveu horror como Lovecraft no séc. XX". Falando em século vinte é importante destacar deste período que viveu o autor, um período de grandes crises econômicas (principalmente a Grande Depressão de 1929 e um período de grandes invenções). Na web existem milhões de sites sobre sua obra e seus livros podem serem encontrados facilmente em qualquer boa livraria ao redor do mundo. Todos seus manuscritos originais se encontram em exposição permanente na biblioteca John Hay da Brow University no bairro de College Hill, em Providence, R.I sua terra natal. Em 1990 no centenário de seu nascimento, foi feita uma placa em sua homenagem na entrada da biblioteca supracitada. Muito do que se conhece hoje da vida e obra de Lovecraft deve-se aos trabalhos de seu grande biografo S.T. Joshi e do mantenedor de seu site oficial Donovan K. Loucks, além da própria Chaosium. As fatos desta biografias são umas das poucas que se tem de Lovecraft. Esta breve biografia termina aqui, lembrando que em inglês existem muitos livros biográficos da vida de H.P. Lovecraft, mas infelizmente em língua portuguesa não há nada e a única fonte de informação quanto a biografia é a internet.

quem é Luc Devroye?

"se voce pergunta o que é o Jazz, voce nunca vai sabê-lo"

não vou tentar dizer quem é Luc Devroye, para o cenário da tipografia mundial. mas se queres tentar sabê-lo, tente visitar o seu site:

site de Luc Devroye

a história da Fundição Gans, segundo Luc Devroye

aqui vai, segundo Luc Devroye, a unanimidade mundial em tipografia, a história resumida da Fundição Gans, seguida da enunciação de algumas das suas mais importantes typefaces, bem como dos atuais revivals digitais disponíveis, com especial atenção por ele dada a atuação da Intellecta Design e de Paulo W na manutenção da memória destes tipos, em typefaces digitais.

Fundicion Tipografica Richard Gans
[Richard Gans]


The Richard Gans Foundry is a defunct Spanish foundry which existed from 1888-1975. Richard Gans was the son of a medic from Karlsbad, Austria. He emigrated to Spain in 1874. He died in 1925. Until 1936 the foundry was led by Mauricio Wiesenthal, but in 1936, his children, Ricardo, Manuel and Amalia Gans Gimeno, now adults, took over. Ricardo and Manuel were assassinated during the Civil War. The foundry was used to make ammunition, and after the war, Amalia Gans and then Reinaldo Leger Tittel started anew in run-down buildings. Throughout its existence, types were designed by a number of people from within and outside the foundry. Designers included Jose Ausejo Matute (d. 1998), Antonio Bilbao (who created Escorial in 1960), the son Ricardo Gans, and Carl Winkow. In the post-war era, Reinaldo Leger and Amalia Garcia Gans made typographic decisions on which types to produce, and acted as typographic directors. Richard Gans' grandson, José Antonio Gans García, is still alive today. Six specimen books were published with titles like Fundicion Richard Gans Muestrario Edicion V. The first and second editions, rare books indeed, were published between 1883 and 1903. Editions 3 through 6 appeared in the period 1903-1922. In 1965, a small catalog was published under the name Tipos Gans. The National Library in Madrid has Muestrario de Richard Gans (Madrid, Richard Gans, 1903, 410 pages) and Catalogo provisional (Madrid, 1950). On the web, the most complete discussion of Richard Gans is in the PDF file Fundicion Tipografica Richard Gans Historia y Actividad 1888-1975 (2004) by Dimas García Moreno and José Ramón Penela. Fonts: Until 1925, there were basically no original types. Almost everything in the specimen books of that era is due to German foundries, principally those of Wilhelm Woellmer in Berlin and Edmund Koch in Magdeburg. Some of those typefaces in common with Koch include Grotesca Chupada Redonda, Ronda Universal. Early types in this category also include Escritura Selecta, Escritura Favorita, Escritura Luis XV, Gótico Globo (blackletter), Gótico Uncial (blackletter), Nueva Titular Adornada, Tipos de Adorno, Latina Moderna, Grotesca Ancha, Grotesca and Grotesca Chupada. Many, if not most of these, saw the light at the end of the 19th century and survived until 1965. It is fashionable now to revive all the faces. Nick Curtis created a few (see below), and Paul W (Intellecta Design, Brazil) did many more. The original Gans types can be categorized as follows:

* Bodoni and Bodoni Redonda.
* Ibarra (1931) and Ibarra Cursiva: a tall ascender garalde family. Paulo W digitized as GansIbarra.
* Escorial: a display face with Koch Antiqua influences, designed ca. 1960 by Antonio Bilbao.
* Nueva Antigua N� 1 and N� 2.
* Elzeviriano Ibarra Titular.
* Dalia (or Ibarra Vaciada): a two-line display face. Similar to Delphian Open Titling (Middleton, Ludlow, 1928).
* Iniciales Ibarra.
* Romana 1
* El Greco. Weights include Antigua El Greco (1924), El Greco Adornado Titular (with Mexican-style sawteeth). Greco was the inspiration for Melina BT (Nick Curtis, 2003). Curtis' Melina Fancy is based on Greco Adornado. For a free version of Adornado, see GrekoDeco (1992, Dave Fabik).
* El Greco Antique (1930s). Revived as Kifisia Antigua NF in 2005 by Nick Curtis.
* Senefelder: etched look all caps.
* Preciosa: Showboat-style Western look.
* Carmen, Carmen Adornada, Velázquez, Españolas Adornadas, Antigua Adornada, Utopian, Tipos de Adorno, Americanas (Tuscan style), Elzevirianas Adornadas: Late 19-th century style display faces. Paulo W (Intellecta Design) created the beautiful digital family Gans Tipo Adorno (2006). He also made the family Gans Titular Adornada (2006).
* Regina, Helios, Vulcano (1920s): art nouveau style. Ludlow's Vulcan Bold is based on Vulcano.
* Gótico Globo: art nouveau style with blackletter influences.
* Antigua Manuscrito: a semiscript face designed by Hermann Delitsch at the Royal Academy of Graphic Arts in Leipzig. Delitsch was Tschichold's teacher. Digitized as a family by Paulo W as Gans Antigua Manuscrito (2006).
* Antigua Progreso (1923): an interesting serif face. A digital version called Bellini was made by A. Pat Hickson, 1992. Linotype sells Greco (DsgnHaus, 1996) which according to some typophiles really is Progreso.
* Gótico Cervantes (1928): blackletter with regular and ornamental caps.
* Gótico Uncial (blackletter).
* Luxor, Italiana (1951: black caps face), Italia Cursiva, Egipcia Progreso (1923, short ascenders): slab serif styles.
* Grotesca Radio: a geometric no-contrast sans.
* Grotesca Compacta.
* Grotesca Chupada Redonda: a rounded sans.
* Grotesca Ideal Negra, Grotesca Favorita, Grotesca Reformada.
* Primavera: a condensed sans. Paulo W digitized a condensed family called Gans Lath Modern (2006).
* Radio Lumina: a display sans. Digitized as Gans Radio Lumina (2006) by Paulo W at Intellecta Design.
* Imán: a shadow headline all-caps face.
* Titania (1933): an elegant two-line poster face. See the revival Faerie Queen NF (2006, Nick Curtis).
* Radio Bicolor: a headline sans family.
* Fulgor (1930): a connected script face. Intellecta Design did digitized this too.
* Escritura Juventud (1950, Joan Trochut Blanchard): a great script with lots of identity and swing.
* Gloria, Gloria Reformada (1930): a connected script family. Gloria was revived by Nick Curtis in 2005 as Pismo Clambake NF.
* Atlántida .
* Gaviota.
* Antigua. See the digital family Gans Antigua (2006, Paulo W).

terça-feira, novembro 21

musica para tipografia: Canto de Ossanha

Eis aqui outra música que é hipnótica e boa para tipografia: Canto de Ossanha. Aqui temos para free download as versões do poeta Vinicius de Moraes, duas da Elis Regina, sendo uma ao vivo, uma versão em chorinho, e duas de cantoras estrangeiras (magnificas versões): na voz de Mina Mazzini e de Caterina Valente. Rogo aos deuses que este meu pequeno crime (disponibilizar estas musicas) seja relevado: Elis morreu há muitos anos, Caterina, minha musa, não precisa destes royalties, e faço isto em nome da cultura brasileira, uma vez que por aqui se escuta muita musica de baixo nivel atualmente, enquanto lá fora somos reverenciados como terra de boa musica.

downloads here

who is Paulo W?

Paulo W is a "gaúcho" (Brazilian southerner), with interests in multiple areas, including poetry (he has published a digital book – “Magical Book” – on the Internet) and graphic design.

In the early 1990s he became one of the first artists to produce and expose works generated on digital techniques. Such contact with computers led him to decide that his life would be devoted to graphic design.

His artistic production is smaller now (his current pictorial works do not have the same fervor as before, being considered by him more technical ones) and followed career as a graphic designer, successful in the profession until discovering typography, a real turning point in his life. Know more of Paulo W, and see all your fonts clicking here.

novas fontes free da Intellecta

a Intellecta está lançando duas novas fontes com free download.

FromRenaissance, uma capitular ornamental com design de flourishes barrocos, que voce pode obter em free download aqui.

e

RenaissanceCoiffure2, um set generoso de free dingbats com modelos de penteados renascentistas e medievais, de homens e mulheres, que voce pode obter gratuitamente aqui.

domingo, novembro 19

The Pen's Excelency (Billingsley) : 2

e aqui vai a primeira das muitas pranchas de Pen's Excelence que publicaremos

startrek, jornada nas estrelas

eu não poderia deixar, como fã, de um dia postar qualquer coisa aqui sobre Jornada nas estrelas, principalmente sobre a série clássica, uma vez que, afinal, estou perto já dos quarenta. se este post peca por ingenuidade, é ao menos, sincero

sem duvida a serie de televisao que mais gerou continuacoes diversas do conjunto da obra. tambem a serie de maior numero de fas no mundo inteiro em todas as idades possiveis. os trekies, como são chamados, são mais fanaticos que os fas de outras obras, ate mesmo de starwars.a magia de startrek pode ter muitas explicacoes, discorreremos com o passar do tempo sobre algumas delas. a mim, particularmente, sempre me emocionou a alta dose de humanismo presente nos conceitos e nos enredos. quase todas as tematicas sociais já foram contempladas em um episodio ou outro, em um filme ou outro. me parece as vezes uma reedicao da renascenca em sci-fi

os personagens da serie classica são poucos mas marcantes, spock – visivelmente inspirado na sabedoria grega, sulu (um asiatico em tempos de guerra do vietnan), capitao kirk (o americano da historia), maccoy - o medico, sempre as turras com o vulcano spock, uhura (a primeira negra a beijar um branco na televisao americana – o capitao), tchecov (representando os russo em plena guerra fria), e scott, naturalmente, o mecanico da nave – digo – o chefe das maquinas

a serie classica deu origem a nova geracao, com mais personagens, e esta outras tantas que eu mesmo não piude acompanhar, mas discorrerei oportunamente. a nova geracao conseguiu, de qualkquer maneira, um feito notavel de per si: suplantar, ou antes, arranjar espaco nos coracoes e mentes dos faz da serie antiga

dicionário


lexicógrafo
aquele que estuda e coleciona as palavras de uma lingua e organiza vocabulario ou dicionario. dicionarista, aquele que se entrega a estudos lexicograficos.

a beleza de um caracter: { (IbarraFlourished)

este é um caracter pouco cuidado nos alfabetos, o "braceleft", ou chave. esta fonte que estou produzindo, a IbarraFlourished, está tendo cuidado redobrado nos detalhes, como voce pode ver por esta amostra de caracter. lançamento previsto para janeiro de 2007

sábado, novembro 18

10 coisas que todo designer deve saber, mas nunca vai aprender num curso de Design

10 coisas que todo designer deve saber, mas nunca vai aprender num curso de Design

Confira abaixo 10 dicas essenciais para quem trabalha ou pretende trabalhar com design. Os conselhos foram inspirados num texto semelhante do arquiteto norte-americano Michael McDonough, publicado originalmente na The Architect's Newspaper. este texto foi capturado na lista de discussão cde design "Design Grafico", onde sou participante.

1. Talento não é tudo
Talento é importante em qualquer profissão, mas também não é garantia de sucesso. Trabalho duro e sorte são fatores igualmente essenciais. Na verdade, se você não é muito talentoso, pode ainda se dar bem se investir nos outros dois fatores - não me pergunte como investir na sua sorte, tente um guru.

2. A maior parte do trabalho é um saco
Na faculdade pode parecer que todo o trabalho do designer é super-legal. Já na vida real, na maioria do tempo temos que mexer com papelada, rascunhar coisas chatas, checar fatos, negociar, vender, juntar dinheiro, pagar taxas, e por aí vai. Se você não aprender a gostar do trabalho chato, nunca terá sucesso.

3. Se tudo é igualmente importante, então nada é realmente importante
Quais dessas máximas um designer deve seguir: "não se atenha apenas aos detalhes" ou "Deus está nos detalhes"? A palavra de ordem deve ser hierarquia. Tudo é importante, sim. Mas algumas coisas são mais do que outras.

4. Não pense demasiadamente num problema
Designers são obsessivos por natureza. Não tente prolongar ou complicar um problema quando você já tiver a solução. Bola para frente!

5. Comece com o que você sabe
Na língua do design isso significa "desenhe o que você sabe". Comece pelo começo: coloque no papel, ou tela, aquilo que você sabe e compreende. Depois, trabalhe sobre o que desconhece, resolvendo as questões complexas e removendo-as uma por uma. Todo designer deveria seguir esse princípio.

6. Não esqueça seu objetivo
Estudantes e jovens designers geralmente encontram soluções brilhantes para os problemas, mas na seqüência acabam perdendo o foco e despendendo esforços em vão. Um pensamento original é um presente dos deuses, principalmente quando você se atém a seu objetivo.

7. Equilibre seu ego
Excesso de confiança é tão prejudicial quanto baixa auto-estima. Seja humilde ao lidar com um problema. Identifique e aceite sua ignorância. Não abuse de seu poder de criar coisas, nem subestime suas dificuldades, caso contrário você poderá ser surpreendido - e não será uma surpresa agradável.

8. Defenda suas idéias ou "de boas intenções o inferno está cheio"
Inovação e idéias brilhantes vão contra a natureza do contrato social. Para que elas sejam bem-sucedidas você terá que defendê-las e terá que envidar grandes esforços. Entretanto, a maioria fracassa. Prepare-se para trabalhar duro, prepare-se para falhar algumas vezes e também para ser rejeitado. O trabalho do designer tem muito em comum com as artes marciais: assim como um judoca no tatame, você nunca deve subestimar seu oponente. E se você acredita na excelência e na criatividade, seus oponentes serão inúmeros.

9. Resultado
Não importa o quão eficaz são suas habilidades diante de um computador, o quão brilhante é a sua escrita ou o quão excepcional qualquer habilidade sua é; se você não conseguir vinculá-las ao resultado, basicamente elas não existirão. Resultados. Lembre-se disso: vincule suas habilidades aos resultados.

10. O resto do mundo é importante
Se você espera realizar alguma coisa em sua vida, você vai inevitavelmente precisar de todas aquelas pessoas que você odiava no colegial e na faculdade. Um terno não faz de você um gênio. Não importa o quão espetacular é o seu design: alguém terá que construir ou manufaturar a peça para você. Alguém terá que assegurá-la. Alguém terá que comprá-la. Respeite todas essas pessoas. Afinal, você precisa delas.

quarta-feira, novembro 15

manfred klein: nova e magnifica fonte

se eu falo pouco neste blog do Manfred Klein é porque penso que nem seria preciso citá-lo num blog sobre tipografia. afinal, ele é o Mestre, o Pelé da Tipografia, com seus mais de mil gols, digo, fontes. ele é, decididamente, meu idolo e inspiração. e, como alemão, talvez até tenha o sangue do proprio Gutemberg nas veias, quem sabe?
mas, de qualquer forma, dias atrás obtive uma nova fonte dele que não poderia deixar de citar aqui. trata-se da MutantA-MediumOblique. uma pérola

...elogios entre os pares... (4)

Pessoal, gostaria de compartilhar com todos voces a entrevista que fiz para nosso colega Paulo W especialista em design de fontes uma verdadeira aula de design e vivencia de projeto (Paulo, tiro o meu chapeu, parabens). Um agradecimento a toda a comunidade cujo trabalho e dicas estão sendo uma fonte invaluavel de noticias para toda América Latina

Jorge Montana, designer de produto, Red Latino Americana de Diseno

terça-feira, novembro 14

um "S" perfeito

o problema com certos caracteres, é que ás vezes eles ficam tão bons que dificultam meu trabalho para o restante da fonte. como fazer um alfabeto inteiro à altura da beleza visual deste S? e agora, José?

Corto Maltese (8) e free dingbats

se gostas de Corto Maltese e Hugo Pratt aqui está o link para meus free dingbats em sua homenagem.

segunda-feira, novembro 13

sucesso e pirataria...

voce começa a ser sucesso quando começa a ser roubado. o primeiro sintoma de que suas fontes comerciais já são famosas é quando começa a pescar na Internet conversinhas deste tipo pedindo fontes piratas (esta foi num forum russo)

Novice

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Регистрация: 1.09.2006

Пользователь №: 171147

Hello guys!
Help me, anybody have they:

-Seminary (Solotype)
-Gans Tipo Adorno (Intellecta Design)
-Gavinha (Intellecta Design)
-Geodec (Intellecta Design)
-Berolina (Solotype)
-Telegraph (Solotype)
-P22 Vienna (P22)
-Welcome (Solotype)
-Foxcroft NF (Nick's Fonts)
-Mardi Gras (BA Graphics)
-Bernhardt (Scriptorium)
-Hattan Antique (Solotype)
-Cleopatra (Solotype)
-Roundhead (Solotype)

In advance!

de quebra fico feliz por tentarem me roubar ao lado da Solotype, P22, Nicks Fonts e Scriptorium

Daniel Torres, Roco Vargas e Edgar Pierre Jacobs

cenário em Roco Vargas
eu já tinha comentado por estas bandas da minha fascinação pela linha clara europeia, principalmente espanhola, em quadrinhos. e também minha fascinação pela obra de Edgar Pierre Jacobs, e seus imortais Blake e Mortimer. de certa forma penso que Jonny Quest tenha uma inspiração em Blake e Mortimer. afinal, o pai de Quest é um cientista que tem a seu lado justamente um homem de ação como braço direito, o que remonta diretamente a Blake e Mortimer. Mas este post é para enfim comentar sobre o maior representante, em minha opinião, da linha clara européia: Daniel Torres, principalmente através de seu personagem Roco Vargas.
em Roco Vargas, Torres desenvolver histórias com enredos compridos, como fazia Jacobs, e tece cenários grandiosos, com uma mioriade impressionante de detalhes. a la Jacobs, Torres se diverte em criar mais do que uma hq, mas antes uma enciclopédia visual de seu universo. Torres, um arquiteto que passou aos quadrinhos - segundo ele porque nos quadrinhos voce constroi casa e cidades que não lhe deixariam projetar na vida real - cria os personagens, os cenários, os objetos - será um designer ou um quadrinista?
edgar pierre jacobs
bem, mais virá. este é o primeiro post
blake e mortimer