sábado, outubro 27

DICIONARIO DE TIPOGRAFOS

fazia tempo. eis de volta nosso Dicionário de Tipógrafos... e que atende neste post a uma demanda também do nosso colega Mario Nunes, do KafeKultura, de Portugal, sobre nossos posts com histórias da história portuguesa...





BRUN, NARCISO
Impressor alemão, que pode também ter sido livreiro, que imprimiu em Paris o primeiro livro em português impresso na França. Trata-se das "Horas de Nossa Senhora segundo costume romão com as horas do Espirito Sancto e da cruz e dos finados e sete psalmos e oração de São Leão papa e oração da empardeada e com outras e devotas orações de Frei João Claro", impresso em 13 de Fevereiro de 1500, segundo o colofão, mas que se pensa ter sido de facto impresso em 1501. É um livro com 120 fólios não numerados, com 17 gravuras de página inteira e muitas outras mais pequenas e algumas tarjas. Esta obra é de uma beleza e valiosidade mui grandes, como podem voces averiguar nas imagens logo acima. Um exemplar deste livro tem valor inestimável de mercado e obtivemos estas imagens (bem como a totalidade de suas páginas em midia digital) junto a insuperável biblioteca digital mantida pela Fundação Rosenwald que já tanto aqui louvamos, em posts anteriores. Cabe dizer que a Intellecta Design está produzindo uma fonte digital baseada na obra, mas como é de se esperar, sem previsão próxima de finalização do projeto. Para diletantes como nós o somos, é sempre agradável verificar o arcaismo da lingua portuguesa de cinco séculos passados, em comparação a um processo menos verificavel do mesmo arcaismo em línguas como, por exemplo, a inglesa. Ainda que detenha um grau artistico altamente desenvolvido em diversos aspectos, o conjunto dos detalhes desta obra o caracteriza como do período dos incunábulos.


BRUCI, ANTONIO
Impressor litográfico catalão que abriria em Barcelona no ano de 1820 uma litografia que ficou sob a direcção de Thierry, cunhado de Engelmann.

BRUN, PEDRO
Impressor saboiano que trabalhou em Saragoça em conjunto com o alemão Nicolas Spindeler. Foi impressor em Genéve. A partir de 1477 imprime em Barcelona onde terá permanecido até 1483/84. Aqui imprime várias obras de parceria com Spindeler e Pedro Posa. Mas também imprime a sós como no caso do Manipulus curatorum de Clemente Sánchez de Vercial e o Libro de Consolat de mar. A partir de 1484 deixou provavelmente Barcelona para se instalar em Sevilha. Porém, o primeiro impresso conhecido comprovadamente impresso por Pedro Brun na cidade andaluza é o Nobiliario de Fernando de Mexia, de 1492. Em 1499 dá à estampa a Ystoria del noble Vespasiano - Valentim Fernandes teria produzido obra com o mesmo nome em 1496, com imagens de origem alemã, o que me leva a constatar duas coisas: estes profissionais todos tinham forte contato com a tipografia alemã, fato compreensivel no periodo e, mais importante, a necessidade de confirmar com mais clareza se trata-se de duas impressões sobre o mesmo tema ou uma mesma obra aqui portanto mal discernida. Em 1506 termina o Liber distichorum, provavelmente o seu último trabalho de impressão. É provável que o mui famoso tipógrafo moravo Valentim Fernandes, que trabalhou em Lisboa, lhe tenha adquirido material tipográfico de que se serviu nas suas impressões na capital portuguesa, como diz o site Tipografos.Net:
"Para imprimir a obra, Valentim Fernandes teve de comprar papel no estrangeiro e usar tipos móveis do mestre alemão (segundo minha outra fonte, saboiano, mas em contacto direto com o alemão Spindeler, o que pode causar confusão) Pedro Brun, tipógrafo activo em Sevilha, além da grande gravura do Calvário, atribuída ao mestre E. S., um dos mais importantes gravadores alemães do século XV. A letra maiúscula E tem uma forma que só aparece em Sevilha, nas oficinas de Pedro Brun, de Meinard Ungut e Stanislau Polono, bem como na casa de impressão dos chamados Companheiros Alemães, todos em actividade em 1495."
Para o estudioso da história da tipografia o periodo dos incunábulos passando para a era propriamente dita da tipografia ocidental é certamente o mais romanesco e excitante de pesquisar e viver, uma vez que quase perde-se nas brumas do tempo as histórias e os meandros por onde cada obra e tipo percorreu para chegar, o quão incólumes o conseguiram, até nossos dias.
Sobre Meinard Ungut, Polono e os Companheiros Alemães:
"Alfonso del PUERTO, Antonio MARTINEZ, Bartolomé SEGURA. Imprimen un “Sacramental” (dos ediciones en 1477 y 1478). En 1490 apareció un taller donde trabajaban los “4 compañeros alemanes” (así firmaban). Entre 1490 y 1500 se instalaban MEINARD UNGUT y Estanislao POLONO que fueron llamados por los Reyes Católicos y dejaron grandes ediciones." eis a fonte.

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