quarta-feira, setembro 19

Do alfabeto aos ambigramas (completo)

(artigo originalmente publicado, com ilustrações, na Red LatinoAmericana de Diseño)
Desde a época em que a escrita ocidental latina, ou alfabeto latino, teve suas formas quase totalmente definidas pela civilização romana muito de maravilhoso com esta invenção humana foi produzido...
Desde la época en la escritura occidental latina y su alfabeto, tuvo sus formas casi totalmente definidas por la civilización romana. A partir de entonces muchas cosas maravillosas han sido producidas
A tipografia, como a conhecemos hoje, é o apogeu histórico, mas apenas uma das facetas que envolvem a escrita e o alfabeto. Logicamente devemos nos lembrar primeiramente que o alfabeto também é utilizado manualmente pelos cidadãos do mundo inteiro, o que gerou desde o seu princípio histórico certas variações estilísticas de uso, algumas muito singulares, outras mais escolásticas, a que chamamos em seu conjunto caligrafia.
La tipogragia como hoy la conocemos, es apenas una de la facetas que envuelven la escritura y el alfabeto. Por supuesto que este es nuestra primera referencia, puesto que es utilizado por todo el mundo, lo que generó desde el principio muchas variaciones, algunas muy singulares, otras más escolásticas, lo que llamanos en su conjunto: Caligrafía
Além do uso mais ou menos sofisticado e ornamental do alfabeto através da caligrafia e dos calígrafos – que aliás é prática entre todos os povos e formas de escrita, particularmente notável entre os árabes e os sino-japoneses – podemos encontrar outros usos do alfabeto enquanto expressão de forma e conteúdo nos logotipos da sociedade moderna, muitos dos quais apresentam criativas soluções variantes de um tema, a LETRA, que em mais de dois milênios parece nao se esgotar. De fato, qualquer principiante em nosso ramo sabe que existem mais de 60.000 fontes tipográficas digitalizadas com variações formais entre elas. Se somarmos a este espetacular numero os milhões de logotipos criados por designers, letristas e publicitários mundo afora, veremos que cada caracter de nosso alfabeto pode se apresentar em milhões de formas possíveis. Isto sem citar os “monogramas”, que serão matéria futura aqui, neste espaço. Además del uso, mas o menos sofisticado y ornamental del alfabeto a traves de la caligrafía y de los caligrafos, que por lo demás es una práctica de todos los pueblos, siendo notables los japoneses Como a mente humana compreende-os sempre e invariavelmente representando seus fonemas originais é um exemplo talvez perfeito da teoria do esquecimento de Nietzsche, que exemplificava a mesma com “uma folha” de uma árvore universal, sempre reconhecida enquanto folha.
A tipografia, até bem pouco tempo, seguia normas muito rígidas de desenvolvimento devido a limitações de ordem técnica. Nesse período que cito surgiu um outro tipo de profissional, assemelhado ao calígrafo, que podemos chamar de letrista. Este profissional desenvolvia escritas publicitárias, que chamamos apropriadamente de “lettering”, as quais podemos reconhecer imediatamente, por exemplo, em rótulos de produtos. Muitos designers gráficos se vêem, cedo ou tarde, em sua profissão, diante do desafio de desenvolver um lettering para um produto ou cliente.
Aparentemente até recentemente não existia – ao que eu saiba – uma outra forma criativa do uso do alfabeto e que chama-se “Ambigrama”. Entrevistei o ambigramista e designer gráfico brasileiro Cleber Faria que nos explica:
“Ambigrama é uma maneira de representar uma palavra a qual pode ser discernida por mais de um ângulo, sendo a mesma palavra ou uma outra. Eles podem ser de rotação 180º, 90º, espelhado ou negativo e positivo. A palavra é submetida por uma série de transformações com o intuito de mantê-la sempre legível. Ambigrama, portanto, seria a palavra ambígua que permite mais de uma leitura, dependendo do ponto de vista do leitor. O termo ambigrama teve sua origem com base em conversações que Douglas Hofstadter teve com um pequeno
grupo de amigos em Boston, em 1983-84. Este termo não poderia ser atribuído a um único autor, pois sua descoberta foi coletiva, segundo Douglas, mas sua participação na criação desta palavra certamente foi mais importante do que ele modestamente aceita reconhecer. Do ponto de vista da pureza etimológica, a palavra ambigrama é híbrida, pois une o radical latino ambi, de ambíguo, com o radical grego grama, de escrita. É muito apropriado que sua própria denominação
já contenha a ambigüidade a que ela se refere. Existem dois mestres os quais admiro muito e que me incentivaram a começar nesta arte, são eles John Langdon e Scott Kim, sendo que o primeiro ficou bastante conhecido por criar os ambigramas para o livro Anjos e Demônios de Dan Brown. Hoje existe uma infinidade de blogs sobre o assunto com diversos artistas expondo seus trabalhos, no Brasil são raros os bons ambigramistas, talvez dê pra contar nos dedos. Mas no mundo inteiro pode se encontrar excelentes profissionais. Eis alguns livros, escritos
por verdadeiro mestres no assunto: Inversions, de Scott Kim; Wordplay, de John Langdon; Ambigrammi, de Douglas Hofstadter e Les Ambigrammes, de Burkard Polster, para citar poucos”
Conheça o trabalho de Cleber Faria aqui.
Outros sites de ambigramistas:
John Langdon, inclusive citado particularmente em Fonts.Com

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