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terça-feira, agosto 14

Para uma Tipografia Colonial (10) : o núcleo Germano-Suíço na Pensilvania

The manuscript folk art produced by the Pennsylvania Germans is called Fraktur, a name inspired by the broken character of the lettering. Documents of many kinds were gaily decorated with tulips, hearts, stars, crowns, angels, unicorns, eagles, and other figures like many books and broadsides produced by early German printers in America.
A primeira typeface utilizada na América Colonial Inglesa, atual estados Unidos da America do Norte, foi uma escrita fraktur. Cristopher Saur, foi, de fato, o primeiro impressor em solo norte-americano. E seu primeiro impresso, um panfleto, usou esta tipografia, que ele identificava como “Sabon” (1), e que foi desenhada por um tipógrafo anônimo na Alemanha, na Luthersche typefoundry em Frankfurt.

Poderíamos, em liberdade poética, chamar esta misteriosa typeface de "Ephrata Cloister", em homenagem a primeira tipografia e comunidade de impressores da América, quase todos monges, e que hoje tem 275 anos de história.

veja abaixo amostras do tipo "Sabon" utilizado por Saur e logo depois por Johann Peter Miller



Anos depois, num gigantesco esforço, Johann Peter Miller, um renascentista na antiga Pensilvânia, reuniu este grupo de monges e juntos imprimiram o primeiro grande-livro em solo americano, o gigantesco Märtyrer Spiegel (the Martyrs' Mirror).

Ephrata Cloister, ontem e hoje. SAIBA MAIS.
Peter Miller traduziu o texto original diretamente do holandês para o alemão, pois era a língua mais utilizada pelos menonitas pensilvanos de então, numa obra de 1500 paginas, impressa em uma tiragem 1300 exemplares, sendo estes números grandiosos até para os nossos dias atuais, em se tratando de tipografia móvel. Neste belo livro, a “Sabon” ou ”Ephrata Cloister” para mim, é novamente utilizada, desta vez agregando-se um sem numero extravagante e belo de outras typefaces góticas, ornamentais, versais, caixas alta e baixa, num verdadeiro tour-de-force, provavelmente também adquiridas em Frankfurt, já que faltavam ainda três décadas para que os tipógrafos norte-americanos produzissem e fundissem suas primeiras typefaces. Assim, este e outros livros do período utilizaram tipos alemães. No entanto, experiencias com woodtypes começaram, obviamente, antes do periodo das fundições, sendo o proprio Saur um pioneiro, como nos informa o site de John Bryer, que traz muita informação sobre Saur:

"He printed the first bible in European language (German) in 1743; 40 years before first English bible was printed in America. Cast his own type, made ink and paper, printed and bound the bibles."

Algumas destas informações já me eram conhecidas, outras estão sendo agregadas ao nosso know-how através de um novo e importante amigo, Lee Jay Stoltzfus, livreiro e antiquário americano, filho do condado de Lancaster, no coração da histórica Pensilvania Amish, Menonita e Quaker, onde surgiu a imprensa americana colonial pré-revolucionaria.

O núcleo de colonização deste lugar teve grande afluência de populações sueco-alemãs; Jay traçou sua arvore genealógica até seus primeiros antepassados emigrados de Berna e Zweibrucken, nos 1700s. Seus pais, em infância, eram Amish, tendo se afastado, todavia, da comunidade na adolescencia, o que não diminuiu o amor de Jay por suas tradições ancestrais.

Naquele lugar é fácil entender o uso continuado até os dias atuais da escrita fraktur e das línguas germanas, uso este que tem se mantido, por exemplo, numa tradição de artesanato em tecido, pelas mulheres, que remonta a mais de três séculos usando letras fraktur artesanais como decoração.

Jay é bibliófilo, amante da cultura fraktur e do estudo da imprensa colonial norte americana. Seus sites tratam diretamente deste assunto, compilando e resgatando a história da quase totalidade dos primeiros impressores coloniais americanos, incluindo por exemplo, Benjamin Franklin, que tinha participação societária em uma casa tipográfica, tendo sido, inclusive, competidor no mercado frente à imprensa do “Ephrata Cloister”


Lee Jay Stoltzfus


Jay mantém, assim, o The Black Art, A History of Printing in Lancaster County, e participa ativamente do Pensilvânia German Arts and Antiques juntamente com o historiador Clark Hess, além de um blog sobre livros raros – para não falar, é claro, de seu espaço na EbayStore onde vende livros raros

Clark Hess


acima, imagens do blog de Hess, mostrando aspectos das comunidades pensilvanas


acima, as prensas de Franklin e de Bauman (Ephrata Press Cloister)

Sabemos hoje, que a imprensa colonial norte-americana foi importante motora da independencia norte-americana, gerando e distribuindo informações entre os primeiros núcleos emancipadores, que lutavam pela contra os abusos ingleses. Podemos dizer, enfim, que a imprensa teve papel decisivo na independência norte-americana, como de resto em todos os futuros movimentos libertários que passaram então a ocorrer, tendo como exemplos a Revolução Francesa e a Americana.

Com tudo isto em mente, estamos gratificados em receber estas belas palavras de nosso correspondente e, mais ainda, de sermos convidados por ele e indiretamente por sua comunidade a digitalizar aquela que foi A PRIMEIRA TYPEFACE DA AMERICA COLONIAL:

Hello from the U.S.,
I write to congratulate you on your excellent fonts. I very much enjoy seeing your blackletter fraktur fonts, especially the Hostetler fonts. Here in Pennsylvania, the Amish and Mennonite communities read backletter/fraktur fonts every day. My parents were Amish until they were teenagers, so I am very much interested in fraktur typography. Here in the U.S., Hostetler is a very important Amish name. The most famous Amish historian is John A. Hostetler. Most of the Amish in the U.S. came here to Pennsylvania from Switzerland and Germany. My family came here to the U.S. from Bern and Zweibrucken, etc in the 1700s. I am very much interested in typography and letterpress printing, because I also am a seller of antiquarian books. I have a website about the printing history of the Amish, Mennonites, and other people here in Lancaster County, Pennsylvania and also write a site for Clarke Hess.

Did you know that the first font of the first American type specimen is fraktur / blackletter? I have information about that first American type specimen on my website. Someday someone should digitize this font, because it is one of the most important American fonts. It is not yet digitized. If you ever need a new font project, this would be an excellent project, and would be an important contribution to American typography history.

Best wishes,

Lee Jay S.

Nossos estudos - difíceis, lentos, mas constantes sobre tipografia colonial e tipografia barroca,- têm se mantido ao longo deste primeiros anos de pesquisa tipográfica. E agora entraremos numa nova etapa, de produção dos primeiros resultados. Lançaremos futuros posts comentando o trabalho de preservação e pesquisa nas comunidades da Pensilvania. Aproveite e consulte outros posts sobre tipografia colonial e barroca saídos no Marginalia:

Pequeno ensaio sobre tipografia barroca

O Padre Antonio Vieira

Tipografia Colonial em El Salvador

Dicionário de Tipógrafas ,

Dicionário de Tipógrafos

Dovtrina Christam Concani

Para uma tipografia Colonial2

John Baine, Dicionário de Tipógrafos

Para uma tipografia Colonial2

em produção: Lydia Bailey, a mais bem sucedida tipógrafa da América, no século XIX
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TAGS PARA PRINCIPIANTES:
escrita gótica, escritas antigas

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(1) No entanto, a memória tipográfica ocidental costuma identificar os trabalhos de Sabon como romanos.

sexta-feira, agosto 10

AltFraktur right, UltFraktur wrong

recentemente um cliente bibliófilo e norte-americano meu chamou-me a atenção para o nome de uma clássica fonte nossa, a HostetlerUltFrakturOrnamental, cujo nome deveria ser "Alt" e não "Ult". ele está certo (he is right), como o demonstra um original que anexamos aqui. infelizmente este erro percorreu um caminho natural, uma vez que iniciamos esta fonte quando éramos ainda mais ignorantes do que o somos agora. contudo, história se faz em cima da própria história e a fonte não terá seu nome trocado.

sábado, março 10

fette ultfraktur pesquisa

a FetteUltFraktur, originalmente criada pela Fundição Bauer, está entre as mais belas fraktur criadas nos ultimos duzentos anos. muito difundida ainda hoje em dia, algumas typefoundries digitais tem criado versões da mesma. a Intellecta Design lançará nos próximos meses sua versão digital acompanhada de variados sets de capitulares ornamentais desta fonte.

na pesquisa de originais para a digitalização partimos de material fornecido no site de Luc Devroye mas encontramos também estes outros dois aqui, que mostram aplicações bem diversas da mesma fonte
acima, amostra de nosso trabalho

quinta-feira, março 8

timeline da tipografia fraktur na Alemanha

dentro dos muitos posts que vamos publicando sobre a escrita e a tipografia fraktur este aqui traz uma timeline sobre a tipografia fraktur na Alemanha, e foi obtida neste site alemão que fala sobre a lingua alemã em geral.

Chronological History of Blackletter/Fraktur Typeface

1450-55 Gutenberg's 42-line Bible in Latin uses an angular, narrow blackletter typeface modeled after the handwritten Gothic Miniscule or Textura style.

1450-1500 The Incunabula period, the era of the first book printing and early type development in Western Europe

1464 Two German typographers from Mainz, Conrad Sweynheym and Arnold Pannartz, create the first true "Antiqua" (Roman/Latin) typeface in Subiaco, Italy. Beginning in 1467 they print books in Rome using their new Roman type, setting up a long struggle in Germany between blackletter/Gothic type and Roman Antiqua.

1475-77 Bastarda type (more curves than Textura) by Parisian typographer Pasquier Bonhomme, which is similar to...

1485 The Schwabacher typeface, a more rounded form of Bastarda, is created by Friedrich Creussner in Nürnberg.

1507 fractura germanica type by Leonhard Wagner (1453-1522) in Augsburg

1508 Fraktur, a further refinement of the Schwabacher type style, is created by order of Maximilian I (1493-1519)

1513 Gebetbuch ("Prayer Book") published with Fraktur type with illustrations by Albrecht Dürer

1525 Refined Fraktur by Nürnberg printer Johannes Andreae

1530 The French typographer Claude Garamond designs a form of Antiqua known as "French renaissance Antiqua" or "Medieval."

1605 The Relation in Strassburg (then in Germany, now in France) is considered the first true newspaper ever printed. It is first published in the summer of 1605 by Johann Carolus—in German using Fraktur type. Before buying a printing press for his newspaper, Carolus had issued weekly handwritten summaries of local political events.

1618-1648 The Thirty Years War slows typeface and printing development in the German-speaking region.

1650 In Leipzig Timotheus Ritzsch (1614-1678) begins publishing the "Einkommende Zeitungen." His newspaper appears several times per week until Ritzsch's government permit expires in 1652. Leipzig has also become Germany's main center of the printing industry.

1660 On January 1 Ritzsch, with a new permit, begins publishing a daily newspaper in Leipzig. Under the name Einlauffende Nachricht von Kriegs- und Welthändeln, the world's first daily newspaper appears six days per week, later every day of the week.

1800-1941 The so-called Fraktur-Streit (Fraktur debate) continues. Both Fraktur and Antiqua (Latin) type are used in German publications, but Fraktur continues to be the main German typeface—even after a Nazi ban in 1941.

1908-1929 New "modern" versions of Fraktur (Mars- and Koch-Fraktur) designed by German typographer Rudolf Koch (1876-1934).

1911 In a close vote the German Reichstag (parliament) rejects an effort to switch to Antiqua as the official German script/typeface; the proposal was defeated by only three votes, 85 to 82.

1926-1932 Designers influenced by the Hungarian László Moholy-Nagy at the Bauhaus in Dessau create modern non-Fraktur typefaces intended to be "an instrument of communication" that is as practical and functional as the Bauhaus architectural and industrial designs. The Nazis will later close down the Bauhaus as "un-German" in 1932.

1928 Pioneering German typographer Paul Renner (1878-1956) designs the modern-looking Latin typeface known as "Futura." Renner considered Roman type to be more "German" than Fraktur, tracing Antiqua back to Charlemagne (Karl der Große). In 1933 Renner is arrested by the Gestapo.

1934 In a speech at a Nazi cultural conference in 1934 Adolf Hitler argues against the use of Fraktur, but his government does not act to eliminate its use.

1941 On Jan. 3 Martin Bormann issues a secret Schrifterlass memo banning the use of Fraktur type in German books and periodicals.

1945 The Allies use Fraktur type on stamps, money, and in post-war publications in occupied Germany.

1958 Introduction of the sans-serif typeface known as Helvetica. German publishers favor its use, and it is still popular in Germany today.

dicionário de tipógrafos : Borges e Bonhomme

BONHOMME, PASQUIER
Impressor parisiense que publicou em 1476 as Chroniques de France, o primeiro livro impresso em francês em Paris e obras de Guillaume Le Fèvre em 1479 e de Jean du Prè em 1481. Ele é lembrado por alguns pesquisadores por ser importante no início da história das letras fraktur em tipografia pela criação de um tipo "bastarda" - com mais curvas que o "textura" e similar ao Schwabacher criado por Friedrich Creussner em Nürnberg em 1485. este tipo em questão voce pode conferir na reprodução abaixo. Quase tão importante foi sua filha Iolande Bonhomme, a qual me deu idéia de abrir uma série de posts intitulada Dicionário de Tipógrafas, onde não faltará a reprodução do excelente material publicado pelo UnosTiposDuros sobre as mulheres na tipografia colonial mexicana

Grandes Chroniques de France. Paris: Pasquier Bonhomme, 16 Jan. 1476/77.

BORGES, ALFREDO FERNANDES
Tipógrafo português que nasceu em 8 de Dezembro de 1924. Filho de família humilde da Lapa, na cidade do Porto, era o terceiro de quatro irmãos. Iniciou a sua vida profissional aos onze anos como aprendiz de tipógrafo. Aos dezoito anos trabalhava na Tipografia Fonseca, à Rua dos Caldeireiros, como oficial compositor, donde saiu dois anos mais tarde para a Tipografia Progredior. Aqui conhece Cândido Rocha, o encarregadoda oficina, que mais tarde montaria tipografia na Rua do Bonjardim. Alfredo Borges acompanhou Cândido Rocha e tornou-se o encarregado da nova tipografia. Em 1961 Alfredo Borges monta tipografia própria de parceria com seu irmão António, na Rua do Almada, assim surgindo a sociedade Alfredo Borges & Irmão ou INOVA, que virá a transformar-se numa das gráficas mais importantes da região norte do país. No começo trabalhavam doze pessoas e o equipamento era constituído por quatro máquinas tipográficas, uma máquina de composição mecânica e uma guilhotina. Apesar das dificuldades a gráfica evolui rapidamente e em 1963 muda-se para novas instalações na Rua Gonçalo Cristóvão sendo então introduzidos novos processos de impressão Em 1979 a gráfica adquire terrenos contíguos à sua sede e projecta a construção de um novo edifício adaptado às exigências da indústria gráfica moderna. Na altura do seu falecimento, em 10 de Janeiro de1984, a Inova era uma empresa com cento e vinte trabalhadores, bem implantada no mercado, e conhecida pela perfeição dos produtos gráficos que produzia.

BORGES, MARCOS
Impressor lisboeta que tinha a sua oficina tipográfica por detrás de Nossa Senhora da Palma, ermida que na Lisboa dos anos de quinhentos ficava situada perto da actual igreja de S. Nicolau Foi impressor da casa e serviço de D. Sebastião. Em 1578 foi-lhe concedido privilégio por três anos para a impressão da Cartilha para ensinar a ler... de D. João de Barros, bispo de Coimbra.

quinta-feira, janeiro 18

Anton Koberger, Dicionário de Tipógrafos

a Intellecta publica aqui um post especial da série "Dicionário de Tipógrafos" homenageando Anton Koberger, provavelmente o pioneiro tipógrafo e "publisher" a pensar a tipografia como uma empresa de escala, e reconhecidamente o maior difusor da tipografia industrial na Alemanha, ainda na era dos incunábulos. Esta homenagem vem em boa hora uma vez que a Intellecta Design lançou agora (Fevereiro 2007) os dois primeiros sets de fontes cuidadosamente criados a partir de pesquisas históricas envolvendo as obras de Koberger e Ottaviano Scoto, outro tipógrafo contemporaneo de Koberger, e cujas fontes possuem similitudes históricas e conceituais que permitem a Intellecta esta emulação, mais de quinhentos anos depois. As fontes são ScotoKobergerFrakturN9 e N11

KOBERGER, ANTON
Impressor, editor e livreiro alemão, de Nuremberg, que montou oficina gráfica nesta cidade e que dispunha de vinte e quatro prensas e mais de cem empregados no final do século XV. As suas obras gráficas patenteiam elevada qualidade e muitas delas ostentam gravuras de elevado nível. Albrecht Dürer foi assessor artístico de Koberger tendo este impresso o Apocalipse em 1498. Da oficina de Anton Koberger saiu em 1475 a primeira Bíblia ilustrada. A obra impressa por Koberger que maior difusão alcançou foi o Liber Chronicarum de Hartmann Schedel, impresso em 1493. Trata-se de uma obra monumental, em folio, com mais mil e oitocentas gravuras do artista alemão Michael Wohlgemuth que foi professor de Dürer. Anton Koberger desempenhou um papel importante na difusão do livro tipográfico na Europa pois na sua qualidade de livreiro exportava muitos livros que colocava nas suas livrarias de Paris, Lyon e Toulouse para além daqueles que vendia em feiras e mercados especializados.

Uma vez que Koberger mantinha uma estrutura grande e diversificada no mercado editorial e de impressão naqueles tempos, manteve relações com importante mestres históricos da tipografia, como Paulo Hurus, Jorge Cocci e JohanFrobem, entre outros (veja logo abaixo).

Segundo Luc Devroye (baseado em Reske) Anton criou vários tipos:

(..) Nürnberg-based printer who created many interesting typefaces in the late 15th century, as narrated by Christoph Reske in Eine neue Entdeckung zur Druckgeschichte der Schedelschen Weltchronik. These include a gorgeous Rotunda and Schwabacher (1492), a Druckbastarda, and other original Fraktur faces, called No. 9 and No. 11 by Reske. Note: Schedelschen Weltchronik (1492) was a book by Hartmann Schedel

Koberger criou provavelmente mais de trinta tipos, a maioria góticos (suas primeiras publicações foram incunábulos). Destes tipos podemos ressaltar uma Rotunda and Schwabacher (1492), uma Druckbastarda, e outras original fraktur typefaces, (antes das fraktur de Maximiliano) declaradas por Reske como numeros 9 e 11. Não temos informações se Koberger desenhou e talhou estas fontes propriamente, uma vez que contava com muitos colaboradores. Mas o talho é autenticamente do periodo dos incunabulos, o que torna dificil identificação mais exata, já que os tipos móveis começaram a ser mais bem delineados e historiados a partir dos romanos, primeiramente.

Contudo, a Intellecta Design, num estudo histórico traz a luz uma nova geração de fontes digitais baseada nos tipos 9 e 11 de Koberger (o Rotunda e o Bastarda serão lançados mais adiante) com auxilio para a emulação do set de outros caracteres contemporaneos e em perfeita similitude de Ottaviano Scoto. (Comentaremos aqui também)
Santa Brigida, gravura de Koberger

Koberger influenciou diretamente Willian Morris da Kelmscot Press para a criação da fonte Troy (1891-1892) (embora também baseadas nos tipos góticos de Schöffer e Zainer). Modernamente Manfred Klein criou para a FontFont uma versão digital de góticos kobergianos, embora de possuindo visual menos grotesque. Tirando a falta de informações de que disponho sobre os tipos propriamente ditos (sua lavra original), Koberger foi - reconhecidamente - um grande gravurista, ilustrando milhares de paginas de diversos livros em sua carreira, muitas vezes em parceria com outros mestres importantes como veremos abaixo.

gravura de Koberger

Mestres tipógrafos, impressores, livreiros e gravuristas ligados a Koberger


COCI, JORGE
Alemão natural de Magdeburgo, antigo seminarista, que trabalhou como tipógrafo em Veneza sobre as ordens de Aldo Manúcio. Depois trabalhou em Espanha, talvez como empregado de Paulo Hurus. Em 1498 aparece associado a Hutz e Appentegger e todos firmam um contrato com Hurus para a impressão do Breviarium Hieronimitanum cuja impressão terminam em 1499. Neste mesmo ano tomam conta da oficina de Paulo Hurus e trabalham em conjunto até 1502. Coci, ou Koch, imprime então com os seus sócios Carmen paschale de Sedulio, Constitutiones Archiepiscopatus Caesaraugustani, executados em 1500. A partir de 1504 Coci passa a trabalhar sozinho. Instalado em Saragoça, no Callizo de la
Imprenta, durante quase meio século, Coci é considerado um dos mais importantes tipógrafos que trabalharam em Aragão. Imprimiu mais de 250 obras, a maior parte de carácter religioso. Neste tipo de obras os seus trabalhos mais importantes são o Breviario de Solsona, de 1514, o Breviario de Cartagena, de 1535, os missais de Lérida (1524), de Valência (1528), e de Tarazona (1529).

Noutro género de obras imprime a Summa de paciencia, em 1505, de Andrés de Li, Las CCC, de Mena, em 1506, a Tragicomedia de Calisto y Melibea, de Fernando de Rojas, em 1507, a primeira edição da novela de cavalaria Amadis de Gaula, em 1508, a Cronica de España de Diogo de Valera, em 1513, as Décadas de Tito Livio em 1520, e muitas outras obras, algumas das quais têm gravuras de Johan Koberger e outras que se pensa terem sido executadas pelo próprio Coci. O seu trabalho de impressão mais importante é a Genealogia de Los Reys de Aragón, impressa em 1509. As cem páginas do livro estão recheadas de gravuras, escudos, gravações de moedas, de espantosa perfeição. Em 1537 vende a oficina gráfica ao livreiro Bartolomé de Nájera e a Paulo Hurus, provavelmente um familiar do impressor de incunábulos, embora alguns defendam tratar-se daquele impressor. Hurus morre em 1539 e a oficina volta às mãos de Coci que logo depois a vende a Pedro Bernúz. Coci, ou Kosch na grafia da sua língua materna, morreu provavelmente entre 1544 e 1546, deixando uma notável obra tipográfica.


FROBEN, JOHANN
Considerado um dos
mais importantes impressores e editores humanistas, fez a sua aprendizagem em Nuremberg, com Koberger. Iniciou a sua actividade impressória em 1491 em colaboração com Amerbach e com Adam Petri. Imprimiu cerca de duzentas e cinquenta obras em latim e grego. Toda a sua produção foi feita nestas duas línguas. Foi amigo de Erasmo e o único impressor de Basileia que não aderiu ao movimento da Reforma mantendo-se ligado à Igreja Católica. Faleceu em 1527.

HURUS, PAULO
Também conhecido por
Pablo de Constanza, trabalhou em Barcelona em 1475 e em Saragoça pelo menos entre 1477 e 1499. É um dos tipógrafos que trabalhou em Espanha que mais obras de qualidade ali imprimiu. Para além de tipógrafo foi também homem de negócios e literato, tendo estudado na Universidade de Basileia. Chegou a Espanha vindo de Constância e instala-se em Valência não se conhecendo obras por ele impressas nesta cidade. Em Barcelona, no ano de 1475, associado com Juan de Salzburgo, imprime Rudimenta grammatices de N. Perottus, o primeiro livro que contém de forma expressa que foi impresso na cidade e que tem colofão com indicação do nome dos impressores. Naquele mesmo ano Paulo Hurus terá impresso outros livros em Barcelona, embora estes não contenham indicação de quem foi o impressor, como Opera de Salustio, Bellorum Romanorum libri duo de Lucius Aunaeus Floro, Orationes in Catilinan de Cícero e De epidemia et peste de Vasco de Taranta de que se não conhecem exemplares. Hurus trabalhou depois em Saragoça, talvez a partir de 1476, tendo naquele ano assinado contrato com Botel para imprimir Fori Regni Araginum. Entre 1478 e 1481 não se conhecem trabalhos por ele impressos. Julga-se que nesse período Paulo Hurus dedicou-se a outros negócios e realizou viagens relacionadas com as suas actividades na empresa de Ravensgurg. Nesse período terá também adquirido material tipográfico que depois virá a usar na impressão de outras obras. Em 1481, em sociedade com Juan Plank, imprimiu Descriptio obsidionis Rhodiae urbis de Caoursin, e Psalterium Latinum. Em 1482 imprime ysopete historiado, as Fábulas de Esopo, e Expositio super toto Psalterio do cardeal Torquemada. Entre 1483 e parte de 1484 Paulo Hurus faz novo interregno na sua actividade impressória, viajando fora de Espanha. A partir de 1485 Hurus regressa ao trabalho tipográfico e naquele ano imprime sozinho o Missale Caesaraugustanum, considerado uma das suas obras primas de impressão. Paulo Hurus prossegue então a sua actividade até 1499, ano da sua última impressão, realizando obras tipográficas de grande qualidade com numerosas gravuras. São sobretudo obras religiosas que são feitas nos seus prelos, embora também imprima textos clássicos gregos e latinos. De André de Li imprime Suma de paciencia, Tesoro de la pasión e Repertorio de los tiempos. Também imprimiu Das mulheres ilustres, de Boccaccio, em 1494, e Viagem à Terra Santa de Breydenbach, obras em que terá utilizado material tipográfico do alemão Koberger, nomeadamente gravuras. Em 1498 Paulo Hurus relaciona-se contratualmente com o seu sobrinho Lope Appentegger, com Georg Koch (Jorge Coci) e com Leonardo Hutz, para a feitura da obra Breviarium Hieronymitanum cuja impressão é terminada em 1499. Neste mesmo ano imprime a sua última obra, Crónica de Aragón de Vagad, e a sua oficina passa a pertencer a Appentegger, Coci e Hutz. Ao que se julga Hurus abandonou Espanha e vai para Constanza onde vive entre 1500 e 1510, sabendo-se pouco da sua vida posterior. Porém, em 1537 um tal Pablo Hurus comprou parte da tipografia de Coci não se sabendo se este Pablo é o mesmo Paulo Hurus que a havia vendido a Coci. Alguns investigadores falam de um segundo Paulo Hurus, mas outros consideram tratar-se da mesma pessoa e assinalam o ano de 1539 como o ano da sua morte. Segundo o escritor Aquilino Ribeiro, Rodrigo Álvares, considerado o primeiro impressor português, teria aprendido a arte tipográfica com Paulo Hurus em Saragoça. Contudo, Artur Anselmo considera esta hipótese de fantasista.

AMERBACH, JOHANNES
Impressor alemão nascido em 1430 em Reutlingen. Estudou na Universidade de Paris antes de ter começado a trabalhar em Nuremberg, como revisor, na oficina de Anton Koberger. Depois estabeleceu-se em Basle com oficina tipográfica, cerca de 1475, e viria a trabalhar em parceria, a partir de 1490, com Johann Petri von Lagendorf e com Johannes Froben. Foi o mais importante impressor de Basle por aquela época, onde imprimiu pelo menos setenta obras, entre as quais um dicionário de Latim, onze bíblias e livros de teologia. Foi o primeiro a utilizar tipo romano. Faleceu em 1513 tendo Froben continuado com a oficina e mais tarde prosseguido o negócio o seu filho Boniface Amerbach
acima, estudos da Intellecta sobre os tipos de Ottaviano Scotus e Anton Koberger


OTTAVIANO SCOTUS

Para suprir a inexistencia de alguns caracteres originais de Koberger nas fontes que estamos produzindo recorremos a Ottaviano Scoto, cujos tipos góticos, embora menos exuberantes que os de Koberger, são muito similares e pertencem ao mesmo periodo histórico. Segundo o site Italnet, uma ong cujo intuito é estimular a pesquisa sobre a lingua italiana desde suas raizes medievais Scotus foi

(...) (a) headed a distinguished family of Venetian printers. Born of a noble family of Monza, he came to Venice at the age of 35 and operated a press there between 1479 and 1484. He continued as an editor until 1499 whereupon his heirs, including his brothers and nephews, undertook their own activity (1499-1532). The original printer's mark of Ottaviano Scoto, displayed here, was an elegant circle from whose center extended a double cross. Within the circle are the letters O.S.M, the initials of Octavianus Scotus Modoetiensis (Ottaviano Scoto of Monza).

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