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quinta-feira, agosto 30

The .918 Club : preservando a historica tipográfica...





O .918 Club trabalha na preservação e exposição da memória da imprensa e da tipografia no condado de Lancaster, Pensilvania, provavelmente a região dos Estados Unidos com a maior história e tradição neste sentido. Jay Lee S, nosso correspondente nos EUA, faz parte do conselho

segunda-feira, agosto 20

Dicionário de Tipógrafas : Lydia Bailey





Sabemos que o mundo tipográfico foi pioneiro na aceitação das mulheres e de sua força de trabalho, incluindo-se trabalho intelectual, em situações, muitas vezes, de igualdade. Ainda que algumas excelentes matérias tenham sido publicadas há pouco no site Tipografos.Net nos demonstrando muito embasadamente a historia das lutas de classe na tipografia queremos lembrar que isto ocorreu antes pelo fato de o trabalhador tipográfico ser mais instruido historicamente que os demais trabalhadores, o que levou a muitos movimentos de questionamento na historia da tipografia. Estas mesmas materias publicadas nos dão conta, ademais, de que foi justamente no seio do mundo tipográfico que ganharam força as primeiras e mais importantes revoluções sociais ocorridas nos ultimos séculos.
Como dizia, desde a era mesma dos incunabulos existem mulheres em posição de destaque nos afazeres tipográficos. Muitas delas herdaram de seus maridos falecidos ou de seus pais a administração de casas tipográficas e as mantiveram, ou mesmo incrementaram, com total dedicação. Penso que a raiz humanistica inerente as primeiras casas tipograficas ocidentais (tipografia latina), em parte, e a etica protestante em contraparte (tipografia germanica) contribuiram para a criação de um ambiente mais favoravel para a mulher pensar, trabalhar e viver. Isto ocorreu, todavia, acentuadamente nas casas impressoras e em menor grau nas fundidoras. Hoje vamos publicar aqui um importante link que remete as paginas editadas em Lancaster, Pensilvania, pelo nosso correspondente Jay Lee H. Especialmente para aquela que mostra a vida e a carreira de uma importante americana tipografa, Lydia Bayley, a mais bem sucedida impressora americana do século XIX, que administrou por mais de cinquenta anos uma das melhores tipografias da Filadelfia. Chegou a supervisionar o trabalho de mais de 160 outras impressoras mulheres durante sua carreira, que publicaram mais de 800 obras neste periodo, naquela tipografia herdada de seu falecido marido. Lydia morreu aos 82 anos, e mais detalhes desta história voce pode conhecer aqui.

terça-feira, agosto 14

Para uma Tipografia Colonial (10) : o núcleo Germano-Suíço na Pensilvania

The manuscript folk art produced by the Pennsylvania Germans is called Fraktur, a name inspired by the broken character of the lettering. Documents of many kinds were gaily decorated with tulips, hearts, stars, crowns, angels, unicorns, eagles, and other figures like many books and broadsides produced by early German printers in America.
A primeira typeface utilizada na América Colonial Inglesa, atual estados Unidos da America do Norte, foi uma escrita fraktur. Cristopher Saur, foi, de fato, o primeiro impressor em solo norte-americano. E seu primeiro impresso, um panfleto, usou esta tipografia, que ele identificava como “Sabon” (1), e que foi desenhada por um tipógrafo anônimo na Alemanha, na Luthersche typefoundry em Frankfurt.

Poderíamos, em liberdade poética, chamar esta misteriosa typeface de "Ephrata Cloister", em homenagem a primeira tipografia e comunidade de impressores da América, quase todos monges, e que hoje tem 275 anos de história.

veja abaixo amostras do tipo "Sabon" utilizado por Saur e logo depois por Johann Peter Miller



Anos depois, num gigantesco esforço, Johann Peter Miller, um renascentista na antiga Pensilvânia, reuniu este grupo de monges e juntos imprimiram o primeiro grande-livro em solo americano, o gigantesco Märtyrer Spiegel (the Martyrs' Mirror).

Ephrata Cloister, ontem e hoje. SAIBA MAIS.
Peter Miller traduziu o texto original diretamente do holandês para o alemão, pois era a língua mais utilizada pelos menonitas pensilvanos de então, numa obra de 1500 paginas, impressa em uma tiragem 1300 exemplares, sendo estes números grandiosos até para os nossos dias atuais, em se tratando de tipografia móvel. Neste belo livro, a “Sabon” ou ”Ephrata Cloister” para mim, é novamente utilizada, desta vez agregando-se um sem numero extravagante e belo de outras typefaces góticas, ornamentais, versais, caixas alta e baixa, num verdadeiro tour-de-force, provavelmente também adquiridas em Frankfurt, já que faltavam ainda três décadas para que os tipógrafos norte-americanos produzissem e fundissem suas primeiras typefaces. Assim, este e outros livros do período utilizaram tipos alemães. No entanto, experiencias com woodtypes começaram, obviamente, antes do periodo das fundições, sendo o proprio Saur um pioneiro, como nos informa o site de John Bryer, que traz muita informação sobre Saur:

"He printed the first bible in European language (German) in 1743; 40 years before first English bible was printed in America. Cast his own type, made ink and paper, printed and bound the bibles."

Algumas destas informações já me eram conhecidas, outras estão sendo agregadas ao nosso know-how através de um novo e importante amigo, Lee Jay Stoltzfus, livreiro e antiquário americano, filho do condado de Lancaster, no coração da histórica Pensilvania Amish, Menonita e Quaker, onde surgiu a imprensa americana colonial pré-revolucionaria.

O núcleo de colonização deste lugar teve grande afluência de populações sueco-alemãs; Jay traçou sua arvore genealógica até seus primeiros antepassados emigrados de Berna e Zweibrucken, nos 1700s. Seus pais, em infância, eram Amish, tendo se afastado, todavia, da comunidade na adolescencia, o que não diminuiu o amor de Jay por suas tradições ancestrais.

Naquele lugar é fácil entender o uso continuado até os dias atuais da escrita fraktur e das línguas germanas, uso este que tem se mantido, por exemplo, numa tradição de artesanato em tecido, pelas mulheres, que remonta a mais de três séculos usando letras fraktur artesanais como decoração.

Jay é bibliófilo, amante da cultura fraktur e do estudo da imprensa colonial norte americana. Seus sites tratam diretamente deste assunto, compilando e resgatando a história da quase totalidade dos primeiros impressores coloniais americanos, incluindo por exemplo, Benjamin Franklin, que tinha participação societária em uma casa tipográfica, tendo sido, inclusive, competidor no mercado frente à imprensa do “Ephrata Cloister”


Lee Jay Stoltzfus


Jay mantém, assim, o The Black Art, A History of Printing in Lancaster County, e participa ativamente do Pensilvânia German Arts and Antiques juntamente com o historiador Clark Hess, além de um blog sobre livros raros – para não falar, é claro, de seu espaço na EbayStore onde vende livros raros

Clark Hess


acima, imagens do blog de Hess, mostrando aspectos das comunidades pensilvanas


acima, as prensas de Franklin e de Bauman (Ephrata Press Cloister)

Sabemos hoje, que a imprensa colonial norte-americana foi importante motora da independencia norte-americana, gerando e distribuindo informações entre os primeiros núcleos emancipadores, que lutavam pela contra os abusos ingleses. Podemos dizer, enfim, que a imprensa teve papel decisivo na independência norte-americana, como de resto em todos os futuros movimentos libertários que passaram então a ocorrer, tendo como exemplos a Revolução Francesa e a Americana.

Com tudo isto em mente, estamos gratificados em receber estas belas palavras de nosso correspondente e, mais ainda, de sermos convidados por ele e indiretamente por sua comunidade a digitalizar aquela que foi A PRIMEIRA TYPEFACE DA AMERICA COLONIAL:

Hello from the U.S.,
I write to congratulate you on your excellent fonts. I very much enjoy seeing your blackletter fraktur fonts, especially the Hostetler fonts. Here in Pennsylvania, the Amish and Mennonite communities read backletter/fraktur fonts every day. My parents were Amish until they were teenagers, so I am very much interested in fraktur typography. Here in the U.S., Hostetler is a very important Amish name. The most famous Amish historian is John A. Hostetler. Most of the Amish in the U.S. came here to Pennsylvania from Switzerland and Germany. My family came here to the U.S. from Bern and Zweibrucken, etc in the 1700s. I am very much interested in typography and letterpress printing, because I also am a seller of antiquarian books. I have a website about the printing history of the Amish, Mennonites, and other people here in Lancaster County, Pennsylvania and also write a site for Clarke Hess.

Did you know that the first font of the first American type specimen is fraktur / blackletter? I have information about that first American type specimen on my website. Someday someone should digitize this font, because it is one of the most important American fonts. It is not yet digitized. If you ever need a new font project, this would be an excellent project, and would be an important contribution to American typography history.

Best wishes,

Lee Jay S.

Nossos estudos - difíceis, lentos, mas constantes sobre tipografia colonial e tipografia barroca,- têm se mantido ao longo deste primeiros anos de pesquisa tipográfica. E agora entraremos numa nova etapa, de produção dos primeiros resultados. Lançaremos futuros posts comentando o trabalho de preservação e pesquisa nas comunidades da Pensilvania. Aproveite e consulte outros posts sobre tipografia colonial e barroca saídos no Marginalia:

Pequeno ensaio sobre tipografia barroca

O Padre Antonio Vieira

Tipografia Colonial em El Salvador

Dicionário de Tipógrafas ,

Dicionário de Tipógrafos

Dovtrina Christam Concani

Para uma tipografia Colonial2

John Baine, Dicionário de Tipógrafos

Para uma tipografia Colonial2

em produção: Lydia Bailey, a mais bem sucedida tipógrafa da América, no século XIX
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TAGS PARA PRINCIPIANTES:
escrita gótica, escritas antigas

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(1) No entanto, a memória tipográfica ocidental costuma identificar os trabalhos de Sabon como romanos.

quinta-feira, abril 19

Tipografia Barroca, pequeno ensaio

aqui está o núcleo para um pequeno ensaio sobre tipografia barroca, parte de nossa pesquisa mais ampla sobre tipografia colonial

O barroco iniciou-se tecnicamente numa data precisa, que foi durante o Concílio de Trento. Este foi o mais longo da história da Igreja (1545-1563) e é chamado Concílio da contra-reforma. Emitiu numerosos decretos disciplinares, em oposição aos protestantes e estandardizou a missa através da igreja católica, abolindo largamente as variações locais. Regula também as obrigações dos bispos e confirma a presença de Cristo na eucaristia através de imagens. Definiu de uma forma explícita e intencional que a arte deve estar ao serviço dos ritos da igreja católica. São criticados pelos protestantes precisamente pelo uso das imagens sagradas por todo o lado, tinham uma postura iconoclasta. Para o catolicismo, as imagens são elementos mediadores entre a humanidade e Deus. Para os teóricos da contra-reforma constitui um meio privilegiado de doutrina cristã e da história sagrada. Assim, na prática, o Vaticano, para combater o Protestantismo, tomou uma série de medidas, entre elas o investimento em arte voluptuosa para atrair os fiéis as Igrejas. Claro que os artistas e a mentalidade para o Barroco já preexistiam, sendo a primeira Igreja barroca, justamente a sede, da recém-fundada Companhia de Jesus, a Igreja de Jesus (1568), com sua fachada de Giacomo della Porta (ca.1541-1604). Por outro lado, alguns teóricos fazem avançar o estilo barroco até meados do século XVIII, com sua derivação rococó ou rocaille, cuja graciosidade requintada de formas sinuosas e assimétricas pode ser vista como um processo natural de desenvolvimento do século anterior.

Os jesuítas foram grandes difusores do Barroco no período colonial através de suas missões. Foram os primeiros a trazer artistas e artesãos de renome, alem de pensadores, como o Padre Sepp, para o Brasil, antes das outras ordens. O movimento Barroco se estendeu até o século XVIII e foi definitivamente sepultado no Brasil com a chegada da missão francesa, trazida pela Coroa Portuguesa quando aqui se instalou fugindo de Napoleão.

Contudo, ainda assim, o Barroco brasileiro é considerado tardio em relação aos outros paises, isto porque só começou para valer com 100 anos de atraso, depois da descoberta do ouro em Minas Gerais, que financiou os artistas e as ordens religiosas para criarem suas igrejas.

Primeiramente, para que vocês possam ver o estilo "cadel", no qual publiquei a fantástica obra de Paulus Francke (realizada em 1602 e portanto classicamente barroca) publico logo abaixo imagens da obra "The Art of Calligraphy", de David Harris. Esta fonte é útilissima para capitulares embora exótica.
PaulusFrancke


A Intellecta também produziu DovtrinaChristam1622, digitalizada de um livro impresso em Goa pelos jesuitas, também barroca e com as muitas imperfeições de uma prensa e de tipos toscos realizados pelos jesúitas naquela missão na Ásia, muito abaixo da qualidade geral das obras da Sociedade de Jesus.

Para trabalhos em texto, que exigem mais legibilidade, a escolha mais adequada, a meu ver, seria a GansIbarra, pois é refinada e para textos em jornal (não em livros), com duas ou tres colunas, garantirá legibilidade e uma sensação de tempos passados para qualquer projeto






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neste site voce pode obter um ensaio muito erudito (e no entanto de fácil compreensão) sobre o Barroco.
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sábado, abril 7

tipografia colonial, El Salvador

aqui neste link voce pode conferir todos os posts que já editamos sobre "tipografia colonial nas américas". e logo abaixo postamos algumas fotos do "El Salvador" um antigo periódico da republica de El Salvador que, estivesse em nossas mãos, bem poderíamos fazer algumas fontes (detalhe para as capitulares...).

se você quiser comprar estas peças históricas e me mandar alguns exemplares eu agradeço. basta visitar esta página e você estará realizando indiretamente o meu sonho.